4 de jan de 2014

Notas Mensais - Dezembro 2013 - Janeiro 2014

"Hierarquizar a cultura só prejudica"

Dando uma olhada em uma reportagem do site de extremíssima-esquerda Pragamatismo Político, digo, Pragmatismo Político, deparo-me com a famosa carta-resposta da mulher que submeteu ao crivo da Academia um projeto de mestrado sobre a "poética" de Valesca Popozuda à jornalista do SBT Rachel Sheherazade, figura talvez mais odiada do que admirada dentro do restrito círculo dos brasileiros que veem telejornal, e, ainda mais, que assistem ao telejornal do SBT.


Devo dizer que, como um dos poucos que não têm o menor medo de admitir o gosto pelo funk - e, não, você não vai me convencer do contrário, eu sei que você não manja porra nenhuma de Estética, Música ou Literatura e que provavelmente é apenas mais um moleque que descobriu o rock ontem, então nem tente -, e como alguém que não considera "Ciências Humanas" uma área a ser levada a sério no plano "científico", não vejo problema algum na existência de pesquisa sobre Popozuda, Catra, Koringa ou qualquer outro artista mais famoso no cenário brasileiro.


Explico: Queiramos ou não, gostemos ou não, quando tratamos de humanidade, não existe efeito sem causa, assim como não existe ação sem uma finalidade ou sem razão, mesmo que a razão seja a ausência de razão (um paradoxo ontológico, diga-se de passagem). Trocando em miúdos, por mais que se reprove Valesca Popozuda ou o funk em geral, é até mesmo imperativo que se investigue o porquê de esses fenômenos existirem. Afinal, Valesca e o funk carioca atual não nasceram por inspiração das Musas ou por geração espontânea, e podem existir os mais diversos motivos para que tanto a artista quanto o ritmo tenham se originado e, mais ainda, tenham chegado à proeminência. Podemos encontrar as causas desse fato na Cultura, na Sociedade, na História, na Política, na Ideologia, na Tradição Intelectual Brasileira ou até mesmo na Filosofia, assim como podemos encontrar uma explicação que articule muito bem todos esses fatores ao mesmo tempo - Apesar de que quem dá essas explicações são, geralmente, teóricos comunistas e progressistas, ou seja, gente que não tem capacidade sináptica para sequer compreender o que lhes pareça "politicamente incorreto", quanto mais para explicar com profundidade filosófica algum de seus posicionamentos.


É possível perceber, até agora, então, que o problema do projeto, definitivamente, não é CIENTÍFICO - isto, é lógico, se aceitarmos o absurdo retumbante de que tudo o que se chama "Ciências Humanas" é científico - , nem que é algo com que não se deva gastar a verba pública (sim, pois o dinheiro para este projeto está vindo do seu bolso, contribuinte). O grande problema, expresso perfeitamente pela epígrafe que coloquei e que está contida na carta da mestranda, é usar "o método científico" e o dinheiro público" para, de dentro de uma universidade pública, começar a perverter toda uma mentalidade complexa sobre hierarquização cultural sob o pretexto de que fazer juízo de valor sobre o que é alta cultura ou não é "elitismo".


Para deixar o que quero dizer aqui mais claro, transcrevo o trecho em que se encontra a frase citada na primeira linha. Segundo a mestranda:


"Dizer que produção de cultura vai do luxo ao lixo é de uma desonestidade intelectual sem tamanho. Como eu disse ao G1 e digo diariamente, hierarquizar a cultura só prejudica. Essa hierarquia construída ao longo de séculos e baseada em um gosto de classe muito bem definido, no qual apenas o que elites definem o que é cultura e o que não é – ou, nas suas palavras, o que é ‘luxo’ e o que é ‘lixo’ – precisa ser COMBATIDA. Creio que a academia é SIM uma das trincheiras na luta pela desconstrução desse pensamento elitista, preconceituoso e, para não ser maldosa, desonesto."


Vejam, agora, qual é o problema da argumentação e qual é o perigo desse projeto. Segundo a fã de Valesca, "dizer que a produção de cultura vai do luxo ao lixo é de uma desonestidade intelectual sem tamanho". O problema é que, apesar de ser uma bela frase de efeito, isto, a priori, não quer dizer rigorosamente nada, visto que são necessárias provas de que essa hierarquização é intelectualmente desonesta.


Pena, porém, que o que nossa Michel Foucault do século XXI e de "terra brasilis" (e "fluminensis") oferece como prova sejam, primeiro, uma opinião pessoal sua ("como eu disse ao G1", como se uma afirmação pessoal fosse importante ou relevante para a discussão dessa questão), e, segundo, um raciocínio completamente torto baseado na Teoria de Luta de Classes de Karlnalha Marx, teoria esta que, por sua vez, também carece de maiores provas, já que não considera aquilo que realmente forma uma classe: os indivíduos que nela são agrupados, cada qual com seus desejos, anseios e capacidades, o que torna impossível, na verdade, uma real "consciência de classe". 


Ou seja, basicamente, a apreciadora do funk valesquiano alicerça sua afirmação na irrelevância de suas próprias concepções, que não fundamenta dignamente, e em uma gigantesca petição de princípio derivada de uma teoria que, por sua vez, também deriva de outra gigantesca petição de princípio (alguém já conseguiu provas "científicas" do materialismo histórico-dialético?). 


Apesar disso, se fosse esse todo o problema, seria apenas o caso de acontecer como aconteceu: a mulher foi achincalhada por um tempo e jogada ao limbo depois. O problema é que, na verdade, esta é só a parte argumentativa da questão, e não a parte de fato perigosa. O caso é que real complicação aparece quando a mestranda demonstra seu verdadeiro objetivo: Usar a Academia, ou seja, as instituições financiadas com dinheiro público para projetos voltados AO PÚBLICO, para "desconstruir" crenças que, na verdade, formaram não só a sociedade ocidental cristã como também suas antecessoras, as sociedades grega e romana. 


E é com essas três sociedades como exemplo, na verdade, que podemos ver a falha fundamental no pensamento que visa a "desconstruir esse elitismo": Para esse tipo de gente, o atual feminismo, uma ideologia hoje DESTRUTIVA e discriminatória, teria de ter o mesmo valor, por exemplo, da filosofia artistótelica, base construtora de praticamente todas as ponderações éticas, metafísicas, culturais, políticas e estéticas que nos afetam até hoje. Segundo os desconstrucionistas, também, precisaríamos nos acostumar com a ideia de que a preciosíssima escrita virgiliana, como em Eneida, não tem, objetivamente, qualquer traço superior quando comparada, por exemplo, à poética de Mc Federado. Do mesmo modo, gênios da literatura mundial como Shakespeare, Baudelaire, Mallarmé, Poe, Kurt Vonnegut, George Orwell, Cruz e Sousa, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Gil Vicente, Eça de Queirós e Saramago, que sequer podem ser igualados entre si - e é só comparar o teatro machadiano com o teatro shakespeareano para se ter um exemplo CLARÍSSIMO disso -, teriam obrigatoriamente, de ser tão valorizados quanto o sertanejo universitário ou mesmo o próprio funk.


E isto, também, porque apenas peguei como comparativos pessoas que, em sua grande maioria (sendo as exceções, talvez, Orwell e Saramago), ou contribuíram para a formação histórica das sociedades em que viveram, ou não a atrapalharam. Se fôssemos tomar, então, os que se opuseram ao modelo cristão de pensamento, as comparações seriam ainda mais bizarras: Como igualar toda a complexidade ateia e anti-hegeliana do pensamento schopenhaueriano com a bizarrice ressentida de Foucault? Como dar o mesmo valor à obra filosófica de um Nietzsche e à filosofia de autoajuda para minorias de Paulo Ghiraldelli Jr.? Ou, ainda mais bizarramente, como não reconhecer que, apesar do mérito de escrever uma vasta obra sobre Spinoza, Marilena Chauí, no auge de sua filosofia, não chegaria a um vigésimo do mais ralo escrito spinoziano?


Enfim, é isto que a mestranda funkeira deixa de lembrar: Mesmo que se creia com fervorosidade no paradigma desconstrucionista, não existem evidências suficientes de que ele, ao igualar romanos e funkeiros, gregos e sertanejos, franceses e pagodeiros, não trará, na verdade, vários danos à sociedade, que não verá mais valor no que realmente importa e no que demandou esforço sináptico de mais do que dois neurônios para ser escrito/construído/arquitetado/sistematizado. 


Não nego, portanto, que o funk valesquiano, assim como o funk em geral, se tenha tornado um elemento da cultura brasileira. Afinal, em primeira instância, a cultura é o que somos. O detalhe é que a alta cultura, nesse sentido, deve sempre ser aquilo a que aspiramos, o que significa que, ao se banir a alta cultura, bane-se, também, qualquer referencial maior do qual um artista pode partir para produzir sua obra e torná-la um aspecto cultural, o que, com o tempo, elimina a produção cultural e, com isso, inicia o sucumbir das sociedades.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

"Ad homines"

A página de extremíssima-extrema esquerda "Meu professor de História" contra-ataca. Desta vez, ficaram impressionados com como Olavo de Carvalho teve a "ousadia" e a "petulância" de ir comentar em sua page medíocre, mesmo após postarem, por meses a fio, puros espantalhos do pensamento olaviano e ousarem dizer que links que o "refutam" são duas críticas MISERÁVEIS de gente como Bertone e Altman, pessoas que sequer conhecem o significado de "fascista" e "extremista", mas o usam alicerçados em como um discurso pode tornar as pessoas violentas - esta, aliás, uma das piores aberrações metafísicas inventadas pela "Análise Crítica (ui!) do Discurso".

Bom, costumo ser professor apenas para os meus alunos, mas, neste caso, devo abrir uma exceção. Vamos lá, então:

Caros esquerdistas úteis, um dos pilares da liberdade de expressão é justamente que, caso você difame alguém, este alguém possa comentar em sua publicação ou sobre sua publicação também livremente e desconstruir todo o seu discurso, além de, se for o caso, mover, contra você, uma ação judicial por danos morais (não recomendo este último, acho francamente um tiro no pé). Vocês, no entanto, parecem não conhecer isto, pois apenas querem distorcer o pensamento de um homem pacífico, que expressa opiniões não-violentas (e não, ser contra o Aborto ou contra o casamento gay não é "uma violência", queridos analfabetos), e querem que ele nunca revide, mesmo que com um único comentário de Facebook em que apenas expressa o descontentamento com como seu discurso é deturpado por inimigos e por amigos.

Existe, também, o fator "refutar": Como se refuta o pensamento de alguém com apenas dois ou três links de jornalistas que, obviamente, nunca sequer leram qualquer livro em que o pensamento olaviano estivesse melhor articulado e explicado e, por isso, reduziram-no ao velho grito esquerdista de "fascismo! nazismo!"? Será que algum dos dois ineptos chegou a pegar em mãos para ler mesmo "O Mínimo que você precisa saber para não ser um Idiota", livro que sequer é considerado um dos mais completos de Olavo, antes de fazerem seus artigos, digo, suas defecações digitais? (Nota: O mesmo vale para pessoas que "refutaram Marx" sem nunca o terem lido ou que consideram Nietzsche "inteligível por qualquer um alfabetizado" e defendem essa ideia porque seus colegas da faculdade de Filosofia eram neo-ateus e louvavam o pensamento do bigodudo alemão mais do que um católico-trad diz que louva ao seu deus. Enfim, de qualquer maneira, não se refuta pensamento de um autor tomando por bases seus seguidores, nem com links de analfabetos que se julgam seus algozes, mas que sequer leram atentamente qualquer de suas obras).

Por fim, os ainda engambelados pela conversinha barata do comunista professor de História do MEC (a página supracitada, aliás, deveria se chamar "Meu professor de História ainda mente pra mim", já que querem fazer uma referência podre ao "Meu professor de História mentiu pra mim") reclamam de como "uma horda de olavetes" veio com "ad homines" (Safatle curtiu esse nível de alfabetização) contra eles após o comentário de Olavo de Carvalho. Mas, ora, não é isso mesmo que acontece quando alguém que se oponha aos delírios interpretativos dessa página faz um comentário? Ou vão negar que uma horda de babacas progressistas, a cada comentário feito por alguém que ELES JULGAVAM "de extrema-direita" apareciam para tentar calá-lo com ridicularizações baratas?

Mas, enfim, o que mais esperar de Sua Esquerdindecência Maior, digo, dessa página de neocomunistas? rsrsrsrsrs


---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Por que não sou de direita?
Tenho uma revelação a fazer: Ao contrário do que parece, eu NÃO sou de direita. Já fui "acusado desse crime", aliás, muitas vezes (um semi-famoso vlogueiro japa, inclusive, ao comentar um post meu, chama-me de "extrema-direita"), mas, felizmente, nesse caso só posso ser julgado inocente com todas as provas em meu favor.

Primeiro de tudo, para que eu fosse de direita, meu pensamento teria, necessariamente, de estar livre de todo e qualquer traço do meu anterior comunismo. Nessa matéria, entretanto, sou réu confesso: Ainda não consegui me livrar totalmente de algumas ideias que defendia enquanto marxista. Não vejo grandes problemas, por exemplo, na EXISTÊNCIA de educação e saúde públicas nem de alguns programas sociais esporádicos, muito menos em que o Estado não seja TÃO mínimo, desde que seja eficiente, o que, para a direita, não é admissível.

Do mesmo modo, quase todos os meus posicionamentos quanto a temas polêmicos não mudaram desde a época de marxista. Continuo favorável à legalização do Aborto, favorável à legalização da Eutanásia, favorável à Pena de Morte, contrário à Prisão Perpétua, favorável ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e à adoção de crianças por casais gays e contrário ao ambientalismo. Muito curiosamente, o meu único posicionamento a mudar nesse ínterim ficou, justamente, mais à esquerda: Passei, depois de deixar de ser marxista, a ser favorável às Cotas Raciais em universidades públicas, por motivos que ainda explicarei.

O que realmente mudou, entretanto, foi meu posicionamento sobre como esses assuntos devem ser discutidos. Apesar de nunca ter sido partidário da existência de tabus (a não ser no que se refere à sexualidade, que, DEFINITIVAMENTE, não deve ser discutida com crianças, mas não deve MESMO), eu, enquanto esquerdista e progressista convicto, agia, sempre que confrontado com o lado oposto (mais conservador ou mesmo simplesmente menos extremista), como se a mera existência da oposição fosse, contra mim, uma violência inominável, pior do que qualquer genocídio staliniano. Agora, após tentar enxergar o (na época) outro lado, consegui não só tolerar o que se opõe ao meu ponto de vista como também me preocupar quando essa oposição é calada, pois sei que existem boas (ótimas, aliás) razões para que alguém se oponha, por exemplo, à legalização do Aborto ou do casamento gay, ou a qualquer outro dos posicionamentos que listei acima. Afinal, percebi que, realmente, não se trata apenas de debates facebookianos infrutíferos. Trata-se, também, de perceber que certas mudanças não trazem consigo apenas felicidade e justiça, mas também uma nova configuração social para a qual, provavelmente, não estamos preparados.

O que percebi, então, é que, em certos assuntos, o melhor é a prudência, é a investigação séria antes do palpite (apesar de eu ainda ser um "filodoxo" assumido), e não a imposição de certo ponto de vista apenas porque "o mundo muda, então devemos mudar também". Isto, entretanto, não me faz de direita ou conservador, me faz apenas PRUDENTE, também porque o grosso dos meus posicionamentos políticos, como se vê, NÃO É CONSERVADOR NEM DE DIREITA, o que torna, por lógica, impossível eu ser conservador ou de direita.

Por fim, por mais que não se resuma a isso, para se definir como de esquerda ou de direita, é necessário ter uma postura também quanto a como a Economia deve ser regida. Não tenho. Quando critico a socialdemocracia (uma gigante "bomba-relógio") ou o próprio "socialismo real" (um nome "simpático" para comunismo), o faço porque são sistemas que NÃO DERAM CERTO, e não por ser um partidário do livre-mercado (nem sou, pois não sei se é a solução também), nem por profundos conhecimentos sobre Economia.

Digo, aliás, que existem ainda pelo menos três tipos de linguagem que, para mim, equivalem ao grego: Biologuês, economês e juridiquês. Há, entretanto, uma diferença entre a linguagem jurídica e as outras duas: Pretendo desvendá-la. Quem quiser me chamar de "extrema-direita" depois desta confissão, então, só pode ser duas coisas: burro ou desonesto.
 
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Atlético-MG, o maior dos medianos

Apesar de tudo o que se falou e ainda se fala sobre a humilhante derrota do Atlético Mineiro (CAM) no Mundial, existe, ainda, um ponto que, pelo visto, não ficou suficientemente claro. Admiradores e torcedores ou não do Atlético, precisamos entender isto de uma vez: o Atlético Mineiro NÃO É uma grande equipe.

Por que falo isso? Muito simples. Não vou cair na falácia de que o que faz uma equipe grande são títulos, pois, de fato, não é o caso. O Corinthians, mesmo antes de ganhar a Libertadores e o Mundial, era uma grande equipe. O mesmo vale para, em casos mais recentes, Internacional (pré-2006, lógico), Palmeiras e Vasco, equipes que, por seu histórico no Brasil, também demoraram muito para ganhar um título internacional de real expressão (não conto o São Paulo porque as circunstâncias em que disputou a Libertadores eram bem diferentes).

Isto não significa, porém, que títulos de expressão não sejam um INDÍCIO válido de que uma equipe seja grande. Afinal, mesmo em tempos de crise, não existe como questionar a grandeza de times como Palmeiras (8 Brasileirões, 1 Libertadores, 1 vice-Mundial), Santos (8 Brasileirões, 3 Libertadores e 2 Mundiais), São Paulo (6-3-3) ou Flamengo (6 Brasileirões, 1 Libertadores, 1 Mundial, 3 Copas do Brasil), cujos títulos, sem dúvida nenhuma, representam muito bem a expressividade desses times na história do Brasil, seja em número de torcedores, seja em qualidade de futebol normalmente jogado.

Algum torcedor atleticano, então, poderia objetar que a torcida atleticana é expressiva e que o futebol normalmente jogado pelo "Galo" é de grande qualidade. Pena, porém, que isto não corresponda ao real. Quanto à torcida, esta só é grande em Minas realmente, enquanto a de outros times, como Flamengo, Vasco e Corinthians, também se faz presente em número relativamente alto em quase todos os Estados da federação. Quanto ao futebol, então, nem se fala. Afinal, fora Reinaldo (que, se bem me lembro, era dos anos 1970) e Bernard (este mais recente), quantos grandes ídolos há no Atlético-MG? (e falo aqui, lógico, de homens de seleção, não apenas de ídolos locais)

Até mesmo o próprio Corinthians, que NÃO TEM tantos ídolos de grande qualidade (e ainda assim consegue ser putaqueopariumente foda em quase tudo que disputa), ganha dos patéticos de Minas neste critério, pois temos, entre outros, Sócrates, Casagrande, Neto, Ronaldo (Goleiro), Marcelinho Carioca, Edílson e Luisão, todos jogadores de nível de seleção brasileira em suas eras. O Flamengo, então, nem se fala: Zico, Romário, Edmundo, Andrade, Adriano (mais recente). E a lista continuaria interminavelmente se fôssemos comparar o Atlético com times como Palmeiras (apesar de Marcos e Ademir da Guia, em minha opinião, já serem comparação mais do que suficiente), Vasco (Romário, Dinamite, Edmundo, J. Pernambucano, etc), Santos (Pelé e Neymar, I rest my case e não desço a minudências) e até mesmo o próprio Cruzeiro (Tostão, Sorín, Alex, entre outros).

Ainda assim, mesmo estes dois dados extras não seriam suficientes para rotular o Atlético como o que é, ou seja, como um time médio com dinheiro em caixa. O que decide esta comparação, realmente, é que, ao contrário de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Vasco, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e até mesmo Fluminense (que também é apenas outro time médio com cash de sobra), o Atlético-MG NÃO TEM O HÁBITO DE DISPUTAR TÍTULOS EXPRESSIVOS, e isto se prova com uma simples retrospectiva: De 1999 até o início de 2012, quantos grandes títulos desse tipo o Patético efetivamente disputou a ponto de chegar a uma final? Nenhum, certo? E mesmo na era de Reinaldo, em que, reza a lenda, o Atlético era forte, quantos títulos foram ganhos ou mesmo disputados até o mais amargo fim? Poucos demais para um grande time, não?

Então, fica evidente que, por mais que eu o deteste, só existe um grande time em Minas Gerais, e este é o Cruzeiro, que, apesar de 2011 e 2012, conseguiu, nos últimos 15 anos, não só disputar todo ano como ganhar, em algumas ocasiões, títulos expressivos, o que seu rival só fez graças a patrocínios vultuosos a partir, justamente, de 2012, o ano-ápice do quase-crepúsculo de seu rival.


Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e, ocasionalmente, dá uma revisada na Filosofia. Até seria de Direita se não tivesse, necessariamente, que estar do mesmo lado de gente que vê o Marxismo Cultural até embaixo da cama, ou mesmo na própria cama.

NOVOS PODCASTS:

59º Podcast de Octavius: Por que não sou de direita? - Comentários Extras 

4 comentários:

  1. Li o texto inteiro e vou comentar a primeira parte.

    Primeiro vou ser bem direto acho esse discurso seu super perigoso, pois beira a censura, basicamente vc falou que pessoa X por descordar de sua ideia em ponto Y não possa ter a sua ideia defendida, sendo que no casso dela a ideia não acarreta nenhum tipo de ataque a integridade física de ninguém (O que portanto torna algo como o nazismo indefensável).

    Dois a moça (Cujo trabalho não li e nen sei quem é) trabalha com uma ideia de arte que começou ali nos anos 1910-20 com os artistas de Vanguarda, a discussão portanto passa obrigatoriamente para ideia de "O que é arte" e por um cara chamado "Marcel Duchamp" e você simplesmente esqueceu de colocar isso.

    Três se vc é preocupado em entender como os marxistas atuais encaram a situação das classes sociais existe um livro em três volumes chamado "A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa" do historiador inglês "E.P. Thompson" no qual ele descore sobre esse assunto e dá uma esclarecida muito boa no assunto que vc pois os pês pelas mãos.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. Antonio,

    Primeiro, não disse, em momento algum, que as ideias da moça NÃO PODEM ser defendidas. O que eu disse, de fato, é que essa ideia de que não se pode hierarquizar a cultura, o que é algo natural e socialmente NECESSÁRIO, não só é boba como é perigosa inclusive. Agora, daí a não deixá-la defender essa ideia é um salto metafísico enorme.

    Segundo, eu sei que a discussão dela passa por "o que é arte", não se esqueça de que sou um pesquisador em Literatura. Ainda assim, o argumento que ela deu é bobo e só é aceito por quem é marxista ou derivados, pois requer que se acredite, piamente, que divisão de cultura é um plano da elite para manter as classes baixas alienadas, apesar de existir algo chamado EDUCAÇÃO disponível para todos.

    Terceiro, eu sei perfeitamente como os marxistas atuais encaram classes sociais, o que não quer dizer que eu aceito que EXISTAM classes sociais, quanto mais que eu aceite a interpretação marxista sobre o caso, rs

    ResponderExcluir
  3. Bem porem vc menospreza muito a historia da arte e a questão de "o que é arte" para quem trabalha com com isso afinal é de amplo conhecimento que as vanguardas do início do século quebraram essa ideia em pedaços! Sabe essa parte do seu texto me soa como mimimi de quem tem dificuldades entender a bagunça que a noção atual de arte, baseado mais em teorias malucas do que em analises das mudanças sócio politicas e das noções relativas a estética no século XX.

    ResponderExcluir
  4. OBS: Esqueci de deixar claro que não concordo muito com a linha da criticada. A arte pode ser julgado quanto ao seu cuidado estético e eu vivo fazendo isso.

    ResponderExcluir