21 de dez de 2013

Manifesto Musista (Ou: Memórias Póstumas de um jovem Pós-Moderno)

   "Eu não aceito o termo “evolução” se a) ele pressupor melhorias no que diz respeito à natureza  humana e b) se ele pressupor, em consequência disso, que o passado é menos valioso que o presente e o presente menos que o futuro."
(Francisco Razzo, historiador da Filosofia e destruidor de egos pós-modernos)

Amigos leitores, devo dizer-lhes que cheguei, bem recentemente, a uma conclusão que mudará as vossas vidas completamente. Não, minto, não chega a tanto, mas que seria muito legal, ah, isso sim.

Enfim, de qualquer maneira, venho por meio deste lhes convocar a, assim como Homero em Odisseia e em Ilíada, pedir que as musas lhes cedam inspiração artística e intelectual sempre que forem escrever, ler, pensar, raciocinar, especular, hipotetizar, desenhar, pintar ou praticar qualquer outra atividade que requeira mais do que dois neurônios ativos no cérebro, ou seja, qualquer daquelas atividades que só se pode apreciar adequadamente fora da escola ou da universidade, como, por exemplo, estudar seriamente ou empreender uma reflexão filosófica minimamente descompromissada dos academicismos e dos ideologismos de quinta.

Por que, porém, faço este pedido? Tentarei explicar nas próximas linhas.

Foi pedindo inspiração das musas que o já citado Homero, como todos sabemos, escreveu nada menos do que as duas obras citadas e, provavelmente, mais um sem-número de obras perdidas ao longo da história (isto, lógico, considerando que o poeta grego realmente tenha existido). Do mesmo modo, gênios como Sófocles (Édipo Rei e Antígona não me deixam mentir), Eurípides (Medeia, talvez a segunda peça mais genial de todo o teatro, perdendo apenas para Édipo Rei) e Ésquilo (Os Persas, Sete contra Tebas, etc) não só escreveram algumas das obras mais geniais e mais influentes da Literatura como também, com o auxílio das Musas, criaram, apenas, o que hoje conhecemos por "Teatro".

Obviamente, estas Musas não são nada mais do que metáforas muito bem construídas por toda uma tradição grega que, mais tarde, viria também a dar origem a outros gênios, desta vez na Filosofia (e também na Poesia e em outros tipos de arte), como Heráclito, Parmênides, Zenão de Eleia, Sócrates, Platão, Aristóteles, Diógenes, Epicuro, Plotino, entre outros. Tal tradição se pautava, na verdade, em valores impensáveis para o homem cada vez mais "pós-moderno" - e, portanto, cada vez menos inteligente e, ao mesmo tempo, mais confiante naquilo que não têm, ou seja, na própria inteligência- e, agora, cotidianamente mais convencido a "lutar por um mundo melhor" e a "militar pela igualdade" (o que quer que isto signifique).

Um dos valores que nos pode parecer mais absurdo, curiosamente, era justamente a descrença no livre-arbítrio, algo que faria qualquer cristão, islâmico, marxista, neo-ateu ou qualquer outra espécie de religioso pós-grego ficar de cabelos em pé e com cara de nojo. Ocorre, entretanto, que, ao lermos as obras daquele período, o que vemos é precisamente que, sem esse valor, não seria possível que escritos como os que compõem a Trilogia dos Labdácidas/ Tebana (Édipo, Édipo em Colono, Antígona), ainda hoje tidos como obras canônicas (no sentido atribuído pela Teoria da Literatura ao termo) e mesmo como um dos modelos para qualquer produção teatral de alto nível, tivessem sido pensados e transmitidos para o papel.

Afinal, mesmo a maldição dos Labdácidas em si é totalmente baseada na luta dos líderes de Tebas contra o inescapável destino. De Laio (pai de Édipo) a Antígona (filha de Édipo que dele cuida durante o asilo em Colono), o que vemos nas peças são uma série de tentativas falhas por parte dos personagens de subverter os rumos preditos pelos oráculos a suas vidas. Enquanto Laio, para evitar ser destronado e ter seu leito profanado pelo filho, Édipo, o manda para longe da cidade e termina por morrer sem descobrir que seu plano falhou (pois foi morto pelo mesmo filho sem saber), Antígona, a última dos Labdácidas, acaba por selar seu destino ao desafiar o poder político de Creonte, irmão de Jocasta (sua mãe e avó ao mesmo tempo), seu tio e rei de Tebas após a abdicação de Édipo, e enterrar um de seus irmãos, Polinices, que o havia desafiado assim como a outro dos filhos de Édipo, Etéocles, na querela pelo controle político de Tebas. O próprio Édipo, antes, ao presumir que seus pais eram os reis de outra cidade que o tinham criado e fugir para Tebas para escapar do oráculo maldito, termina, também, por dar razão ao destino.

Por mais que isto possa parecer injusto ao olho acostumado pela visão cristã e, principalmente, pela visão progressista, é justamente essa impossibilidade de fuga do destino, como vemos, que não só foi um dos como também foi o principal alicerce filosófico sobre o qual se construiu a primeira grande "escola literária" (na falta de melhor termo) do Ocidente, mais tarde brilhantemente explicada por Aristóteles em sua Poética. (Há também, nesta obra, uma longa explicação sobre a Lei das Três Unidades, sobre e contra a qual todo o teatro ocidental acabou sendo construído, mas isto não é pertinente ao tópico. Quem quiser saber mais, o livro é de fácil acesso em muitas livrarias).

Acontece, que, por mais incrível que possa parecer, a real relevância artística e filosófica grega (e, consequentemente, das "Musas") não está no que foi construído por atenienses e outros por mais de um milênio. Afinal, de certo modo, quase todos os valores e todo o conhecimento que valiam para os gregos como verdadeiros não o são mais atualmente - sorry, Aristóteles, talvez o maior gênio humano de todos os tempos, mas tua Física e tua Biologia já eram, assim como a Lei das Três Unidades -, assim como, definitivamente, o cenário atual difere, e muito, daquele da época . 

É isso, contudo, que faz os gregos tão importantes na história: foi justamente a tentativa de refutá-los, alcançá-los, superá-los ou até mesmo simplesmente complementá-los que construiu o que hoje se chama (e se odeia) de "civilização ocidental". Os romanos, na sanha de igualarem  o status de sua cultura com o da cultura grega, produziram nada menos que Virgílio (e sua Eneida, obra obrigatória para romanófilos), Horácio, Sêneca, Cícero, Júlio César, Plauto, Lívio Andrônico, entre outros.

Os cristãos, por sua vez, já admitindo e defendendo o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, aceitando e desafiando uma série de paradigmas, especialmente filósoficos, gregos, têm um histórico inquestionável e que inclui, entre outros, um hall de verdadeiros gênios da Filosofia, como Santo Agostinho (o platonista cristão), São Tomás de Aquino (o cristão aristotélico), Descartes (um dos principais co-fundadores da Modernidade), Galileu, Lutero, Calvino, Wesley, Kant, Chesterton, e a lista continua longamente. Na arte, também, podemos citar Gaudi, Da Vinci, Dante, Petrarca e Michelângelo e não descer a maiores minudências.

Para desafiar este último grupo, assim como voltar e desafiar aos gregos, temos pensadores das mais variadas correntes, indo desde os fraquíssimos foucaultianismo, marxismo e desconstrucionismo aos filósofos mais bem fundamentados, como Schopenhauer (que me desculpem os hegelianos, mas é este o maior filósofo alemão dos séculos XVIII e XIX), Spinoza, Nietzsche (que, mesmo assim, não é um décimo do filósofo que é Schopenhauer),  Voltaire, Diderot, Popper, entre outros.

Quando falamos em arte, então, teríamos uma lista interminável, indo desde a sofisticação britânica de Shakespeare (um dos primeiros grandes desafios à Lei das Três Unidades) ao trágico carioca de Nelson Rodrigues, passando também pelo realismo machadiano, pelo teatro beckettiano, pelo proselitismo comunista barato de Brecht, pelo terror de Poe, pela embriaguez e pelo ópio baudelairianos e por um sem-número de escritores e artistas que, ao mesmo tempo em que desafiavam explicitamente os paradigmas gregos de arte, também tinham, vez sim, outra vez também, que se curvar e reverenciar (e referenciar) à cultura clássica inspiradora, em grande parte, de suas obras.

Entretanto, apenas relatar estes fatos a vós, digníssimos leitores, não basta. É preciso também saber explicar como os gregos conseguiram ser dignos de tal louvor em termos culturais e, consequentemente, porque peço a vós um regresso às Musas.

Primeiro, é preciso lembrar que vivemos, segundo um bando de sociólogos, psicólogos e filósofos de auto-ajuda que não têm mais o que fazer alguns filósofos e sociólogos, na Pós-Modernidade, era em que, sobre o pretexto de que todas as grandes teorias que explicavam o homem foram provadas erradas, se procura justificar, incessantemente, a preguiça intelectual da maioria dos estudantes e, ainda mais, louvar a estes por isso, visto que não estão "caindo em extremismos", "se entregando a falsas dicotomias" ou alguma outra lorota do tipo. Neste tipo de era, então, é praticamente impossível tentar pregar qualquer valor sem ser tachado, imediatamente, de "mente atrasada" (como se o mais novo fosse sempre o melhor), "extremista", "radical", "ideólogo" (uma das maiores pataquadas pós-modernas, aliás, que tratarei de destruir em breve) ou, caso se seja religioso, "fundamentalista" - adjetivo, aliás, dos mais vagos dentro da nova linguagem progressista.

Ocorre, porém, que, ao contrário do que os pós-moderninhos convenientemente quiseram esquecer, SÓ SE PRODUZ CULTURA COM VALORES FIRMES E CLAROS. E isto pode ser confirmado com uma simples comparação. Dos filósofos da "pós-modernidade" (e, leia-se, dos que fazem filosofia em seus moldes, não em moldes mais antigos), quantos poderiam ser considerados dignos de estar entre os maiores da história, como aconteceu com os filósofos gregos, cristãos e até mesmo com os iluministas? Quantos dos escritores de nossa era, também, conseguiriam uma vaga no tão cobiçado "cânone literário" ao lado de gênios como Machado de Assis, Cruz e Sousa, Gil Vicente, Camões, Edgar Allan Poe, Ralph Waldo Emerson, Racine, Mallarmé, Victor Hugo, Baudelaire, Dostoiévski, Tolstói, Wilde, Dickens, Shakespeare et cetera?

A resposta, ao menos por enquanto, e acredito que enquanto durar toda esta lorota, é óbvia: NENHUM. Não haveria senso, afinal, em anexar ao grandioso o medíocre, assim como não o há em rebaixar o grandioso ao nível da mediocridade. Proclamo, então, que a única solução para esta era tão cheia de orgulho pelo que não têm e por se adaptar a todo jargão ideológico criado pelas Academias universitárias mundo afora (inclusive ao jargão de que tudo é "ideologia" ou "reconstrução e desconstrução por meio da linguagem") é, justa e ironicamente, uma volta ao passado e uma reconciliação sincera com as belas Musas que inspiraram não apenas os gregos, mas também tudo aquilo que se chama, ou pelo menos que se chamava antes da pós-modernidade "pós-moderninha", alta cultura.

Enfim, classicistas de todo o mundo, uni-vos! (Afinal, o que na pós-modernidade não termina com uma frase de efeito?)

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e, nada pós-modernamente, tenta se deslocar pelos caminhos da Filosofia. Colocaria uma descrição pós-moderna neste espaço final se levasse esta era a sério. Só escreve nesta freguesia porque as outras ficam "pós-modernando" demais para seu gosto.

12 comentários:

  1. Não vou falar propriamente sobre pós modernidade, pois por mais que essa bagunça possa ser colocada em boa parte nas mãos dos arquitetos e urbanistas (E com razão pois existe uma "Arquitetura Pós-Moderna" muito clara de fácil intendimento e com algumas obras de qualidade surpreendente, tanto positiva como negativamente) porem admito que me falta bagagem para tratar especificamente do assunto.
    Portanto vou me focar na parte final.

    Primeiro vc comete um erro absurdo na afirmação "SÓ SE PRODUZ CULTURA COM VALORES FIRMES E CLAROS", pois sim se produz cultura sem valores firmes e claros, se isso no entanto tem qualidade estética é um tantinho quanto mais complicado.

    Dois discordo plenamente do "NENHUM" pois tem muita gente que entrou nessa lista de "cânone literário" bem depois, exemplo master é o "Shakespeare" ele só se tornou ultra popular com os românticos mais de 1 século e meio depois de sua morte, portanto é foda fazer esse tipo de previsão.

    Infelizmente pra vc tenho uma péssima notícia! A "alta cultura" começou a morrer nos anos 10 e foi enterrada nos anos 60. Não que isso significa algo ruim, muito pelo contrário, vou dar um exemplo aqui do que na minha opinião é uma das coisas mais geniais que já ouvi na minha e vida e retrata muito bem isso que é a "Electric Light Orchestra" tocando uma verssãoa de "Roll Over Beethoven" de "Chuck Berry" em 1973 acompanhados de um pequeno conjunto de cordas, o incrível dessa música da banda do Jeff Lyne é o fato deles com uma ironia muito gostosa mostrar como é besteira hoje em dia tentar dividir as artes em "alta e baixa", principalmente pq não se tem mais as condições sociais necessárias para que essa separação se desse.
    Essa é a musica que estou falando. http://www.youtube.com/watch?v=3uk84icbn78

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  2. Antonio,

    Você, como sempre, meu caro amigo, não entendeu porra nenhuma do que leu. Vamos às habituais respostas:

    "Primeiro vc comete um erro absurdo na afirmação "SÓ SE PRODUZ CULTURA COM VALORES FIRMES E CLAROS", pois sim se produz cultura sem valores firmes e claros, se isso no entanto tem qualidade estética é um tantinho quanto mais complicado."

    Quando falei em cultura, não falei apenas em elementos culturais isolados, mas sim em uma cultura que forme uma sociedade, uma cultura, na língua progressista, "social". E, de fato, não existe cultura que tenha se FORMADO e PRODUZIDO, depois disso, grandes obras sem um conjunto de valores firmes e claros, seja para apoiá-los, seja para refutá-los.

    "Dois discordo plenamente do "NENHUM" pois tem muita gente que entrou nessa lista de "cânone literário" bem depois, exemplo master é o "Shakespeare" ele só se tornou ultra popular com os românticos mais de 1 século e meio depois de sua morte, portanto é foda fazer esse tipo de previsão."

    Vamos ver o que você leu: - Dos filósofos da "pós-modernidade" (e, leia-se, dos que fazem filosofia em seus moldes, não em moldes mais antigos), quantos poderiam ser considerados dignos de estar entre os maiores da história, como aconteceu com os filósofos gregos, cristãos e até mesmo com os iluministas? Quantos dos escritores de nossa era, também, conseguiriam uma vaga no tão cobiçado "cânone literário" ao lado de gênios como Machado de Assis, Cruz e Sousa, Gil Vicente, Camões, Edgar Allan Poe, Ralph Waldo Emerson, Racine, Mallarmé, Victor Hugo, Baudelaire, Dostoiévski, Tolstói, Wilde, Dickens, Shakespeare et cetera?

    A resposta, ao menos por enquanto, e acredito que enquanto durar toda esta lorota, é óbvia: NENHUM. Não haveria senso, afinal, em anexar ao grandioso o medíocre, assim como não o há em rebaixar o grandioso ao nível da mediocridade -

    O que você entendeu do que leu: TODOS os que são do cânone literário foram lá colocados imediatamente após a sua morte ou durante o tempo de vida que tiveram. Octavius disse que nenhum pós-moderno está no cânone, logo ele não deve saber disso.

    Ora puta que pariu, com o que você está na cabeça, Antonio, porra? O que eu disse é que os pós-modernos NÃO vão para o cânone literário ou filosófico simplesmente porque não têm nível intelectual para isso. Quem tem, aliás, nega a pós-modernidade até a morte.

    "Infelizmente pra vc tenho uma péssima notícia! A "alta cultura" começou a morrer nos anos 10 e foi enterrada nos anos 60."

    A alta cultura é transtemporal. Agora, a alta cultura como fato geral no Brasil morreu por aí mesmo, principalmente depois que a educação passou a ser, OH, MULTICULTURALISTA e "Laica". Que surpresa, não?

    Antonio, faça um curso de interpretação de texto, por favor. Tá faltando entender o que você está lendo, brother.

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  3. OCTÁVIO! Vc poderia as vezes levar o que eu escrevo menos a sério! Já pensou na possibilidade de eu viver fazendo isso como leves trolagens! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

    Bem agora a minha opinião mais pautada.
    O mundo já não é moderno, isso é um fato, nossas relações sociais sofreram uma mudança absurda nos últimos 25 isso é de fácil comprovação pela plataforma de nossas conversas, no entanto não encontrei uma resposta decente para o que seria ou seja a pós-modernidade existe porem é outra coisa.

    A bagunça no "pós-modernismo" como disse começou nos estudos de arquitetura (Aonde tem sentido e produziu obras boas e ruins) e dai foi se espalhado (Bem sem critérios) por outras artes e isso gerou essa bagunça toda que eu não consigo entender com real dimensão.

    Sobre a tal alta cultura tenho um ideia um tanto complicada, minha ideia é de que ela morreu pois se ouve um processo duplo, tanto na área artística com na área social, ou seja os artistas dos dois polos começaram a usar partir de 1910 elementos estéticos que marcavam a separação clara entre os dois isso se acentuou e se consolidou claramente nos anos 60. Do outro a arte nesse mesmo momento começou a passar por uma estrutura de comercialização cada vez maior, ou seja quebrando a maneira com a qual uma arte era até aquele momento com a sua divisão extremamente clara. (AH! Não foi só a alta cultura que morreu! A baixa e a de meio (Se vc for fãn de Macdonald) também foram para o saco junto).

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  4. "OCTÁVIO! Vc poderia as vezes levar o que eu escrevo menos a sério! Já pensou na possibilidade de eu viver fazendo isso como leves trolagens! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK."

    Troll se responde na cintada. Ponto, huehuehuehuehuehuheuhue

    "O mundo já não é moderno, isso é um fato, nossas relações sociais sofreram uma mudança absurda nos últimos 25 isso é de fácil comprovação pela plataforma de nossas conversas, no entanto não encontrei uma resposta decente para o que seria ou seja a pós-modernidade existe porem é outra coisa."

    Eu também não, meu amigo, mas, já que dizem que existe uma "pós-modernidade", e que essa bosta em que está o mundo, cheio de preguiça intelectual, é essa "pós-modernidade", falemos dela, rs

    "A bagunça no "pós-modernismo" como disse começou nos estudos de arquitetura (Aonde tem sentido e produziu obras boas e ruins) e dai foi se espalhado (Bem sem critérios) por outras artes e isso gerou essa bagunça toda que eu não consigo entender com real dimensão."

    Nenhuma discordância aqui.

    "Sobre a tal alta cultura tenho um ideia um tanto complicada, minha ideia é de que ela morreu pois se ouve um processo duplo, tanto na área artística com na área social, ou seja os artistas dos dois polos começaram a usar partir de 1910 elementos estéticos que marcavam a separação clara entre os dois isso se acentuou e se consolidou claramente nos anos 60. Do outro a arte nesse mesmo momento começou a passar por uma estrutura de comercialização cada vez maior, ou seja quebrando a maneira com a qual uma arte era até aquele momento com a sua divisão extremamente clara. (AH! Não foi só a alta cultura que morreu! A baixa e a de meio (Se vc for fãn de Macdonald) também foram para o saco junto)."

    Morreu como fenômeno geral, não como fato isolado. Pode, portanto, voltar a ser um fato com o esforço suficiente.

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    1. Explique melhor o seu final. Achei ele muto aberto.

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    2. Explicação: Ainda existe alta cultura no Brasil, mas não como prática geral, apenas como pontos específicos, o que significa que ainda há esperanças para ela neste país.

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    3. Octavinho, acho que é bom começar por um ponto, o que vc entende por alta cultura?

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    4. O que de melhor foi produzido por uma determinada sociedade ao longo de sua existência.

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    5. Acho então que vc anda preocupado de mais se sua visão é essa, pois tem muita coisa boa sendo feita, muita mesmo, a questão principal é que como se teve uma explosão absurda de produção nos temos a sensação que vivemos em um momento de queda de qualidade. Porem se olhar com mais cuido e ir fundo vc encontra bastante coisa boa.

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    6. Antonio,

      O problema é justamente esse, meu amigo: Se eu procurar MUITO, verei algo bom sendo feito. Isso é grave. Isso significa que a cultura está, sim, decaindo. Será que, tendo os mesmos meios que nós temos hoje, o pessoal dos anos 50 teria de "procurar muito" para encontrar escritos de Clarice, Drummond, Bandeira, Jorge Amado, Oswald de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Antônio Cândido et cetera? Então, véi, repara como é diferente? Hoje, bom escritor é Gregorio Duvivier (que é péssimo), ora porra.

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  5. Cara o Duvivier é mais um ator que escreve relaxa com ele.
    Sim Octávio mais vc tem de entender o que aconteceu, primeiro quando o espaço é menor vc tem uma competição por esse espaço. Depois em 1950 poucas pessoas consumiam livros no país o mercado era mega reduzido, diferente de hoje que tá cada dia maior. Alem disso tem muita coisa ruim escrita nessa época porem ela não resiste ao tempo.

    A literatura tá meio em baixa porem isso não é um fato com todas as outras artes. O cinema daqui por exemplo tá muito bem se comparado com os anos 80 por exemplo.

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    1. Eu entendo o que aconteceu, Antonio. Ainda assim, nada justifica que não exista NENHUM grande foco de talento literário em um país que, há menos de 50 anos, ainda tinha alguns de seus maiores escritores vivos. O mesmo vale para as outras artes: Melhorou, mas QUANTO? Será que vira alta cultura?

      E, porra, Antonio, vsf, kra, você tá discutindo em véspera de Natal, porra?

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