7 de out de 2013

Eu, Apolítico: Pena de morte e por que não devemos atacá-la (ou: A verdadeira Causa Perdida)

Olá, amigos leitores, e, depois da sátira do post anterior, é hora de retomar a seriedade com a série "Eu, Apolítico".

Há algumas horas, veio até mim, por meio de uma publicação alheia no Facebook, um artigo postado no site Literatortura, famosíssimo por postar curiosidades e por seus articulistas que, não com pouca frequência, esquerdam, e escrito por um certo Lucas Lucena Sonda e adendado por uma tal Luisa Bertrami. O nome do artigo já diz tudo: Pena de morte e por que não devemos acatá-la. Após lê-lo, percebi que se tratava de uma das objeções mais "disfarçadas" contra a Pena Capital em nome do progressismo. O que quero dizer com isso? Hora de esclarecer.

Ao começar a argumentar sobre o tema, depois de citar um caso raro ocorrido em uma região cuja mentalidade e costumes são totalmente diferentes dos brasileiros e de informar ao leitor que o Direito brasileiro preza a reabilitação em detrimento da punição, Sonda declara, em alto e bom tom, que

Trancafiar alguém pelo resto de sua vida é tomá-lo arbitrariamente como incapaz de se readequar às condições de harmonia social. Imensamente mais agressivo, matar um indivíduo enquadra-se na mesma toada. A prisão perpétua pode significar, em alguns casos, possibilidade de reversão da pena, enquanto a pena de morte traz a noção de julgamento absoluto, afinal, nada se pode fazer depois que a corda ajeitada ao redor do pescoço se transforma em um algoz sufocante.

Eis, aqui, a primeira premissa a ser questionada na mentalidade sondiana. É fato que a Pena de Morte carrega a noção de julgamento absoluto e que trancafiar alguém é encará-lo como impossível de ser reinserido na sociedade. O detalhe é que, ao contrário do que diz o cientista econômico, esse trancafiar, de arbitrário, nada tem, pois, por definição, arbitrário é tudo aquilo que depende exclusivamente da vontade de alguém. Considerando isso, e sabendo que a Pena de Morte seria destinada exclusivamente aos crimes hediondos, sinceramente não consigo ver como se escolheu "arbitrariamente" como hediondos atos como Homicídio QualificadoLatrocínio (roubo seguido de morte), Estupro de Vulnerável ou Genocídio.

Direito ou Sociolinguística?

Sonda, porém, parece ignorar a crueldade desses crimes e prossegue:

Negar ambas as alternativas, como faz o Brasil, é louvável, dentro do meu ponto de vista. Não há na figura da polícia e de um tribunal penal quaisquer subsídios técnicos ou morais para jogar o indivíduo numa cela pelo resto dos seus dias, muito menos para tirar-lhe a vida.

Isto porque, é óbvio, atentar contra a vida humana ou abusar sexualmente de alguém sem lhe dar direito de defesa ou de alguém que nem noção tem sobre tesão, sexo e outras coisas do tipo não é, objetivamente falando, um motivo "técnico" ou "moral" suficiente para tirar um canalha de circulação. Eis uma noção de justiça de dar inveja a qualquer líder de milícia armada.

A real motivação de todo o artigo, porém, vem a seguir, quando, em um raciocínio extremamente semelhante  ao de certo sociolinguista que teoriza sobre preconceito linguístico considerando opressor e oprimido como categorias fixas, e não como categorias que mudam de acordo com o contexto em que se interage, Sonda diz que:

É necessário considerar a formação histórica da sociedade, as motivações do delito e a possibilidade, mesmo que ínfima, de o indivíduo se reintegrar, deixar de repetir os erros passados.

Entendem qual é o ponto então, amigos leitores? De modo semelhante a Sakamoto em seu infinitamente comentado e chacoteado artigo Ostentação deveria ser crime previsto pelo Código Penal, Sonda tenta não atentar contra a vida humana de alguém que já atentou contra outra vida humana com a justificativa de que a formação histórico-social da sociedade não foi justa ao meliante - como se a vida fosse justa, algo em que só comunistas e anarquistas fingem crer- que, por isso, teve "motivações" para cometer ato ilícito.O problema é que, muito diferentemente do que o Foucault literatorturiano tenta inferir, este tipo de raciocínio criminaliza apenas uma pessoa: a vítima desse tipo de crime, que, em um dia de puro azar, pegou a "vítima da sociedade" querendo, com as próprias mãos e sem nenhum tipo de pudor burguês - aqueles pudores reacionários como "respeito ao outro" ou qualquer outra baboseira que não leva em conta a "formação histórica da sociedade e as motivações de um delito" -, fazer "justiça" a favor de si mesmo e receber de volta tudo aquilo que nunca lhe foi reservado para início de conversa, ou apenas fazer birra contra os pais que nunca lhe deram uma Lamborghini. É, agora estamos em outro patamar na inveja: os líderes do PCC e do Comando Vermelho já começaram a se interessar bem mais pelos escritos de nosso amigo sofista de boteco.

"Mas esse garoto é muito inteligente!"
Outro detalhe de que se esquecem tanto o autor desse texto quanto Sakamoto é que, objetivamente falando, um crime não se justifica porque quem o comete foi "injustiçado" e/ou teve "motivos" para isso. Se formos seguir este raciocínio, teríamos de justificar ou até mesmo aceitar como não passíveis de punição rigorosa crimes como os do Regime Militar de 1964, um regime de esquerda odiado pelas esquerdas, os do Nazismo Hitleriano (afinal, Hitler também foi "injustiçado" na vida, não?), outro regime de esquerda odiado pelas esquerdas, e o regime Stalinista e Comunista da antiga URSS. Curiosamente, nessa sanha de "sociolinguisticizar" o Direito, Sonda joga para escanteio o mais básico princípio pretensamente advogado por esses e outros "cientistas sociais": a dignidade humana.

Retomo isto, entretanto, mais adiante. Vamos agora aprender lógica com Lucas Sonda.

Sonda, o cético crédulo

Em uma incrível demonstração de ceticismo, Sonda pontua, corretamente, que:

A organização do sistema penal, com seus alicerces punitivos e preventivos, castiga o transgressor e o toma como exemplo para evitar novos crimes. Mas isso acontece de fato?

 De fato, a pena mais rigorosa não costuma inibir novos crimes (apesar de os EUA, país com Pena de Morte legalizada, terem uma população 1,5x maior do que a brasileira e não terem sequer a metade do número de homicídios que temos anualmente), mas o caso é que, ao mesmo tempo em que não confia na Pena de Morte, que efetivamente retiraria o criminoso de vez de circulação, evitando que ele voltasse a cometer delitos de qualquer natureza, o literatorturiano parece ser um carola dos mais beatos na reabilitação psicológica, pois vocifera que:

Satisfazendo a preocupação alheia, mesmo com o limite de 30 anos para a condenação comum, os casos de deficiência mental que giram em torno de estupradores, esquizofrênicos com potencial transgressor reincidente e demais criminosos que não possuem poder intrínseco para traçar suas próprias ações com consciência, ainda estariam habilitados para a condenação em instituições psiquiátricas, com pena renovável e no aguardo de soluções médicas. Ou seja, a constituição já prevê um destino adequado para todos os infratores, relevando a possibilidade de recuperação psicológica, social e clínica de qualquer um deles.

Fora o fato de tomar o estuprador como simples criminoso motivado pela deficiência mental, e não por tara sexual pura e simples, ou mesmo por canalhice e falta de noção de respeito ao outro (ou, principalmente, à outra), é muito revelador o modo como Sonda deixa transparecer sua fé quase que fundamentalista não só na Psicologia mas também, muito curiosamente, NO PRÓPRIO SISTEMA PENAL, que ele havia rotulado como ineficiente no parágrafo anterior. 

Nada, porém, é pior do que o que Sonda diz no mesmo parágrafo em que demonstrou tanto ceticismo. Segundo o Sakamoto sem doutorado:

A diminuição não significativa das infrações em países com penas de morte estabelecidas é um contra-argumento poderoso defronte a crítica de que o Brasil possui penas muito brandas. Ao passo de que a ameaça com a cadeira elétrica se mostra insuficiente para inibir novos crimes, não sejamos levianos a ponto de nos julgarmos capazes de condenar outrem à morte.

Ou seja, amigos leitores, se, em países nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão), for adotada a Pena de Morte e ela não fizer cessar completamente todos os crimes hediondos possíveis e imagináveis, isto significa que, mesmo que haja uma diminuição já significativa desses casos - pois não é todo tipo de infração que é condenada à Pena Capital, algo que Sonda intencionalmente esquece -, a Pena de Morte é ineficiente e não deve ser aplicada. Aristóteles (à direita) rejubila-se com como a lógica que criou é bem usada pelos apologistas da "dignidade humana".

"Ei, mestre, ele usou mesmo nossos escritos... PARA ISSO?"
Aliás, falando nela, hora de voltarmos de vez ao ponto principal do texto.

A metafísica da indignidade

Não devemos dar ouvidos aos ativistas dos “direitos humanos para humanos direitos”, que tratam de caracterizar o criminoso como inferior e não merecedor de um julgamento “humano”. Não lembram, eles, que muitos delitos são subproduto da exploração social, da fome, da ganância própria do sistema, da necessidade absoluta ou até mesmo de desvios de saúde mental.

Retomando o adágio, um erro não justifica outro. Não podemos condenar friamente à morte aquele que cometeu homicídio e achar que se trata de justiça. A lei de talião já se desfez dentro dos Estados democráticos há um bom tempo, felizmente. Não a ressuscitemos sob a ótica de que “bandido bom é bandido morto”.

Eis, então, o ponto máximo de contradição do texto do Vladimir Safatle jovem. É justamente por pensar que a injustiça sofrida por um por causa do "sistema" - ah, essa entidade anônima tantas vezes invocada, mas tão pouco compreendida - justifique qualquer de seus atos que Sonda consegue, em um salto metafísico impressionante, subverter a lógica e igualar tratamento indigno a uma vítima com tratamento digno a um criminoso. Afinal, segundo ele, apesar de o criminoso não ter oferecido à sua vítima qualquer "julgamento humano", este, por ter sido vítima do sistema, da injustiça social e da fome - desvios mentais sequer são comentáveis ou plausíveis de serem citados, pois o louco, justamente por sê-lo, é considerado incapaz de responder por seus atos e já é levado à clínica de reabilitação, onde fica, na realidade, pelo resto de seus dias -, deve, de qualquer maneira, ter um julgamento desse tipo.

Vladimir Safatle observando a brilhante argumentação de seu maior (e único) discípulo
O mais fascinante deste excerto, entretanto, é, mais uma vez, a contradição lógica dentro do pensamento sondiano. Afinal, se "um erro não justifica outro" e se "a lei de talião já se desfez dentro das democracias", por que então errar ao não punir rigorosamente alguém que, ao usar uma pessoa que nenhuma relação direta tem com sua sina, aplica justamente a lei de Talião e comete um erro injustificável?

Não digo, porém, que realmente devamos dar qualquer ouvidos às pessoas que gritam "direitos humanos para humanos direitos". Não uso, porém, o argumento de Lucas, pois não é isso que está em jogo. O que está em jogo é que, em uma era em que o falso relativismo sobrepujou e jogou ao limbo qualquer tentativa de moralizar objetivamente uma determinada sociedade, o pior risco que se corre é o de que "humano direito" passe a ser sinônimo não do cidadão que "anda na linha", mas daquele que, sob o pretexto de estar protegendo a "dignidade humana", seja forçado a defender publicamente todas as causas adoradas pela intelligentzia progressista (pois neutralidade é coisa de gente que "se alinha com o vencedor", como se eles já não tivessem vencido a guerra cultural).

Isto tudo, ainda assim, só se aplica quando analisamos o lado secundário de toda essa questão. É hora, então, de finalmente entender qual é a real Causa Perdida em tudo isso.

A verdadeira Causa Perdida

Muito ironicamente, não é no texto de Sonda, mas sim no adendo de Bertrami, que chegaremos à real Causa Perdida (e maiusculizo "causa perdida" por ser este o nome da seção em que se encontra isso que se convencionou chamar de artigo). Depois de sair com um dos maiores declives escorregadios da história da internet - e aqui imagino que o leitor, perspicaz como sempre, fará muito bem o trabalho de descobrir por si mesmo a falha lógica no argumento de Bertrami, poupando-me de explicitá-la -, a revisora do artigo (e, sinceramente, deveria ter ficado apenas nisso) nos informa que:

A ideia de que a prisão não ressocializa ninguém – que é a justificativa, muitas vezes, para a pena de morte – talvez tenha sua origem e explicação no fato de não haver, de fato, interesse em ressocializar ninguém. Buscamos bodes expiatórios que carreguem sozinhos a culpa e os punimos, num movimento de punição por punição que tem como objetivo acalmar um sentimento de vingança e nos isentar de uma culpa que é social, coletiva, e não individual. (itálico meu)

Fica clara, então, a lógica, que também aparece diversas vezes, só que travestida, no texto de Sonda. Apesar de, na totalidade das vezes, ser um indivíduo ou um bando deles que cometem os crimes, Bertrami nos diz que a culpa, por ser coletiva, é de todos, não apenas deles. Isso significa, em termos práticos, que não é a falta de respeito ao outro ou a pura e simples falta de senso de proporções que motiva os crimes, mas sim a crueldade do "sistema", ou, nas palavras de Lucas, "a exploração social, a fome, a ganância própria do sistema, a necessidade absoluta". Imagino, então, que esses dois ficariam fascinados ao descobrir como é expressivo o número de jovens que, sem qualquer necessidade ou distúrbio mental comprovado, saem por aí espancando mendigos, ou mesmo que, apesar de tudo o que dizem, roubar algo para comer é uma coisa, enquanto arrastar um menino de 6 anos com um carro por sete quilômetros não tem outro nome senão atrocidade.

Enfim, de qualquer modo, a verdadeira Causa Perdida não é a luta contra a instituição da Pena de Morte. Assumir isso seria como negar o fato de que quase toda elite intelectual do Brasil, assim como Lucas, Luísa e tantos outros blogueiros, são progressistas até a medula e, portanto, bloqueariam de todas as formas qualquer tentativa de instituir algo sequer parecido, quanto mais a própria Pena em si. A Causa Perdida é, na realidade, justamente o romper com essa mentalidade de que um crime se torna menos crime e menos passível de punição rigorosamente apenas porque "o sistema é ganancioso" ou porque "o criminoso tinha motivo". Dizer isso é esquecer que, antes de qualquer "luta contra o sistema", deve vir a vida e a segurança de quem quer apenas isso: a garantia de viver pelo menos enquanto sua saúde ou a fatalidade o permitirem. Não é agindo com leniência diante do delito que isso acontecerá. O que vem acontecendo, aliás, é justamente o contrário.

Sobre o autor: Octavius é graduando em Letras e percorre, tortuosamente, os caminhos da Filosofia. Ainda assim, já consegue, sem a ajuda de aparelhos, ser cético aos projetistas do mundo melhor. Escreveria mais e sobre mais coisas se estivesse inspirado e se tivesse tempo.

NOVOS PODCASTS:

50º Podcast de Octavius: Por uma educação CÉTICA (ou não) e uma proposta de como encarar a educação

37 comentários:

  1. Octávio (us), agradeço muitíssimo que tenha lido minha argumentação e tenha se prestado a um texto resposta. De longe, o mais próximo de uma discussão séria que pude presenciar sobre o tema ultimamente.

    Li seus contra-argumentos e acho que poderia, se me permitir, esboçar uma tréplica. Adicione-me no Facebook e me passe, por favor, seu email. Dessa forma temos um canal direto para debate. Grande abraço!

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    1. Lucas,

      Claro, certamente podemos conversar, seja por aqui ou por e-mail. Em breve, Goku te adicionará no Facebook (se me entende, rs). Meu e-mail é: octaviusthebenevolent@hotmail.com. Mas, gostaria de saber, de antemão, se posso publicar, aqui no blog, nosso debate nos e-mails.

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    2. Octávio,

      Acho que é prudente vermos como a discussão se dá antes de pensarmos em publicação. Se acontecer positivamente, tenho um blog pessoal que também poderia ser palco da postagem. Em breve encaminho o primeiro email. Até mais!

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    3. Lucas,

      Concordo. Enfim, fico no aguardo de seu primeiro e-mail. Até breve.

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  2. Parabéns! Prevejo um "belo" futuro nas colunas da Veja.

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    1. Muito obrigado. Pior seria se meu futuro fosse na Caros Amigos ou em outras publicações psicopático-progressistas, rs

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    2. Seguindo essa "lógica" de argumentação que vc usou ao longo do seu texto: rapaz, pra que esse ódio no corassaum? Vc foi bulinado? Peça a mamãe pra te abraçar... xingar o coleguinha não vale como argumento filosófico... Abraço sincero.

      Clayton Marinho.

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    3. E quem disse que "só xinguei" o Lucas? Se só viu isso, você não entendeu nem um vigésimo do texto, Clayton, rs

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  3. Só li elogios no seu texto! Que orgulho o Lucas, tão novinho, ser comparado ao Grande Safatle e já está até se tornando corrente filosófica com o seu modo "sondiano" (sic) de pensar! Continue assim cara, logo será um grande Pondé ou Olavo de Carvalho e trabalhará na Veja, espumando a boca de ódio contra os comunas e minorias!!
    Grande abraço!! Vitor Daolio.

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    1. Mas nem chegou a ler a parte que eu te comparo ao Pondé?
      Eu li o seu texto em resposta ao nosso blog, o minimo que você devia fazer é ler os nossos comentários. Isso é muita falta de educação, sabia?

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    2. Leu porque quis, e tomou minhas palavras literalmente também porque quis. Não é culpa minha se o esquerdismo torna as pessoas analfabetas a ponto de não compreenderem certas figuras de linguagem, dentre elas a HIPÉRBOLE.

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    3. HIPÉRBOLE (sic) são bastante utilizadas polos direitosos. Vide os seus "ídolos", como o Olavo. E não me venha com essa de "leu por que (deveria ser porquê, já que é tão bom em português) quis", você que começou lendo o nosso texto, você que começou escrevendo uma resposta e agora arque com as consequências! Não temos culpa se você não tem maturidade pra manter um debate sadio e fica atacando as pessoas em vez de desconstruir os argumentos... Já tomou a vacina anti rábica hoje?

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    4. 1º "E não me venha com essa de "leu por que (deveria ser porquê, já que é tão bom em português) quis""

      Não, analfabeto. "Porquê" se utiliza apenas depois de "o", como em "o porquê". Para a resposta à pergunta "Por que você leu?", responder com "Porque..." é que é o certo segundo a gramática normativa.

      "HIPÉRBOLE (sic) são bastante utilizadas polos direitosos."

      E daí? Os esquerdalhas também a usam, especialmente quando adendam um texto com um declive escorregadio absurdo.

      "Não temos culpa se você não tem maturidade pra manter um debate sadio e fica atacando as pessoas em vez de desconstruir os argumentos..."

      Quem argumentou, no caso o Lucas, foi devidamente contestado. Agora, por favor, me diga, o que há de "argumentos" em chamar alguém ironicamente de futuro Pondé ou Olavo de Carvalho?

      Pelo visto, quem precisa tomar a anti-rábica aqui não sou eu.

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  4. Você faltou nas aulas de História?

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    1. E o que isso tem a ver com o texto?

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    2. Esta parte "Se formos seguir este raciocínio, teríamos de justificar ou até mesmo aceitar como não passíveis de punição rigorosa crimes como os do Regime Militar de 1964, um regime de esquerda odiado pelas esquerdas, os do Nazismo Hitleriano (afinal, Hitler também foi "injustiçado" na vida, não?)"

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    3. Esta parte, que, além de SECUNDÁRIA, pode não estar errada. Devo lembrá-lo de que seu ídolo Foucault repetiu reiteradas vezes em "A Ordem do Discurso" que NÃO É porque algo está em uma disciplina que é verdadeiro (ou seja, que não é para confiar cegamente nas "disciplinas", ou na ciência, como preferir)?

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    4. Ok Octavius, com todo respeito, esta parte apesar de secundária, o que não parecia no corpo do texto, foi usada como argumento para a construção do seu discurso. Sou professora de História e apesar da disciplina ser considerada uma ciência (ou não, nem todos concordam com esta ideia) alguns fatos não são passíveis de dúvidas. O positivismo contido na ideologia dos militares não abre margem a nenhum posicionamento de esquerda, e o partido Nazista também não apesar da nomenclatura. Acredito que um texto que contenha informações históricas pertinentes antes de ser publicado deva ser revisado. E, apenas a título de informação, Foucault não é meu ídolo, apesar de considerar alguns trabalhos dele memoráveis. Grata pela atenção. Boa noite.

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    5. Você nasceu apenas com o bulbo cerebral?

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  5. "Sou professora de História e apesar da disciplina ser considerada uma ciência (ou não, nem todos concordam com esta ideia) alguns fatos não são passíveis de dúvidas"

    Se são fatos, não são ciência. Ponto.

    " O positivismo contido na ideologia dos militares não abre margem a nenhum posicionamento de esquerda, e o partido Nazista também não apesar da nomenclatura."

    Tem certeza?

    E você poderia ser Aristóteles, não me importa que título você carrega. Falar baboseira com autoridade não torna o que você falou verdade.

    Ao outro anônimo, não, não nasci. Se tivesse nascido, teria permanecido progressista.

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    1. Qual a dificuldade em manter um diálogo em alto nível sem apelar para xingamentos e apelações?
      Leia Tucídides por favor quanto ao debate do fato da História ser ou não uma ciência, não é tão simples quanto parece e por isso disse que nem todos os historiadores concordam neste ponto.
      Sim, quanto ao positivismo tenho certeza, não vou citar meus títulos visto que isto incomoda. Quanto as baboseiras, fica difícil de falar sobre isso se não se consegue manter uma discussão saudável não é mesmo? Qual o sentido de um blog aberto a comentários se o leitor os faz e é apedrejado?

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    2. Não há ninguém apedrejando ninguém aqui. Se não consegue lidar com pessoas que discutem de jeito diferente do seu, sequer deveria participar de debates na internet. Aliás, por obséquio, me diga onde lhe xinguei e, fora você e o Lucas, qual outro anônimo que comentou aqui tentou argumentar e não ficar com simples ridicularizações.

      Quanto ao Positivismo, seu lema era Progresso e Ordem, o que é muito fácil de transpor para a esquerda. Lembre-se, há sempre o reconstrucionismo, coisa em que esta, a esquerda, é pós-doc.

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    3. Boa tarde. Octavius, eu consigo lidar com pessoas que discutem de maneira diferente da minha, eu me dou o direito de não achar satisfatória uma resposta que inclua algo como isto: "E você poderia ser Aristóteles, não me importa que título você carrega. Falar baboseira com autoridade não torna o que você falou verdade.". Normalmente os títulos acadêmicos nos ajudam a construir um conhecimento mais bem embasado, fato que o tempo lhe mostrará já que ao que parece você pretende ir longe na carreira acadêmica. Na verdade o que eu pretendia discutir no que tange ao seu texto é a parte histórica dele, principalmente aquela que fala do passado do Brasil e de fatores sociais e econômicos. Não se pode negar que o país foi construído em cima de todo tipo de exploração, indígena, negra, mestiça e um sem fim de outra situações que levaram uma grande parcela da população a situações de vida desumanas. Isso por si poderia ser uma desculpa para os crimes cometidos no país? Não, claro que não, mas seres humanos reagem de maneira particular em momentos históricos diversos e a pena de morte pode não ser a a solução, principalmente num país onde sabemos que muita gente é condenada sem que os fatos sejam devidamente apurados, basta que seja pobre. Concordo com você quando fala que não há uma verdade única, há a minha verdade, a sua verdade e a de todos os outros que comentaram. Abraço.

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    4. "Boa tarde. Octavius, eu consigo lidar com pessoas que discutem de maneira diferente da minha, eu me dou o direito de não achar satisfatória uma resposta que inclua algo como isto: "E você poderia ser Aristóteles, não me importa que título você carrega. Falar baboseira com autoridade não torna o que você falou verdade.""

      Achar ruim é uma coisa, falar que é apedrejamento e "apelação" é outra, e demonstra falta de senso de proporções.

      "Normalmente os títulos acadêmicos nos ajudam a construir um conhecimento mais bem embasado, fato que o tempo lhe mostrará já que ao que parece você pretende ir longe na carreira acadêmica."

      O tempo vem me mostrando é que a Academia é lugar de um bando de demagogos progressistas que se acham mais do que outros por terem título de doutor, isso sim.

      "Na verdade o que eu pretendia discutir no que tange ao seu texto é a parte histórica dele, principalmente aquela que fala do passado do Brasil e de fatores sociais e econômicos. Não se pode negar que o país foi construído em cima de todo tipo de exploração, indígena, negra, mestiça e um sem fim de outra situações que levaram uma grande parcela da população a situações de vida desumanas. Isso por si poderia ser uma desculpa para os crimes cometidos no país? Não, claro que não, mas seres humanos reagem de maneira particular em momentos históricos diversos e a pena de morte pode não ser a a solução, principalmente num país onde sabemos que muita gente é condenada sem que os fatos sejam devidamente apurados, basta que seja pobre."

      E desde quando eu disse que Pena de Morte é solução para desigualdade social? Aliás, eu propus alguma solução para isso ou disse achá-la possível? Se o fiz, por favor, "ilumine-me" (e uso as aspas pois não sou fã desse senso "iluminista" de ensino, rs)

      "Concordo com você quando fala que não há uma verdade única, há a minha verdade, a sua verdade e a de todos os outros que comentaram. Abraço."

      Quando eu disse isso? O que eu disse é para não ser crente na ciência, isso sim. Sério, precisa ler mais textos meus para entender que meu pensamento é dificílimo de reduzir a essas categorias tradicionais do progressismo, rs

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  6. Octavius, O -nada- Benevolente!

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    1. Com esses anônimos que tem por aí, meu amigo, não dá MESMO para ser benevolente, rs

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  7. Tudo bem com vc desde a nossa ultima conversa Octávio?
    Só uma questão vc não acha um tanto quando perigoso e autoritário dar ao estado o poder de retirar a vida de alguém mesmo amparado por uma decisão judicial?

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    1. Não, não acho. Lógico, preferiria que fosse dado, na verdade, o direito à pena de morte instantânea (ou, no popular, armamento civil), mas não acho autoritário, especialmente porque esta decisão não é tomada de cima para baixo. Aliás, se formos ver pela minha ótica, Antonio, quem é autoritário é o vermelhismo, que finge que ouve a população sem de fato ouvi-la e só aprova as medidas que quer.

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    2. Ou seja vc é a favor do julgamento compulsório sem direito a defesa! Lindo isso em, os princípios fundantes da sociedade republicana democrática que se fodam então. E é bom lembrar que o sistema judiciário tem falhas e que a base dele é "Em duvida favor do réu". Acho que vc precisa ler sobre autoritarismo, tenho de concordar que existem pessoas na esquerda com essa tendência, pois o autoritarismo é extremamente tentador. E acho que ler um pouco sobre violência também seria legal, o armamento civil tem de ser controlado pois ele aumenta e muito a violência em atos bestas, alem de que para se ter esse direito as pessoas devem ter um bom treinamento pois pode acabar ferindo um inocente e etc...

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    3. "Ou seja vc é a favor do julgamento compulsório sem direito a defesa! "

      Com nossa justiça tendo QUATRO instâncias para se recorrer a? É, muito compulsório isso mesmo.

      "E é bom lembrar que o sistema judiciário tem falhas e que a base dele é "Em duvida favor do réu""

      Exatamente. Nada me garante que essa será sempre a pena aplicada, mas ela precisa estar disponível.

      "Acho que vc precisa ler sobre autoritarismo, tenho de concordar que existem pessoas na esquerda com essa tendência, pois o autoritarismo é extremamente tentador. E acho que ler um pouco sobre violência também seria legal, o armamento civil tem de ser controlado pois ele aumenta e muito a violência em atos bestas, alem de que para se ter esse direito as pessoas devem ter um bom treinamento pois pode acabar ferindo um inocente e etc..."

      Autoritarismo: Decisão de cima para baixo. Não é o que proponho. Proponho, aliás, justamente o contrário: que escutemos as vozes de "baixo", ao invés de nos fingirmos de surdos a elas.

      Quanto ao armamento, concordo com a questão do treinamento, mas com ou sem legalização do porte de armas as pessoas já se matam em situações bestas. A única diferença é que, sem a legalização, elas não podem se defender sozinhas de canalhas ou, como vocês gostam de dizer, "vítimas da sociedade".

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    4. São 3 instâncias e elas são assim não só no Brasil, e isso é meio que um concesso e tem a ver com a base de estruturação do direito ocidental. (Não sei te explicar isso muito bem pois nunca estudei historia do direito profundamente).

      "mas com ou sem legalização do porte de armas as pessoas já se matam em situações bestas. A única diferença é que, sem a legalização, elas não podem se defender sozinhas de canalhas ou, como vocês gostam de dizer, "vítimas da sociedade""

      Sim porem com bem menor índice de letalidade, isso é fato! A questão principal da arma de fogo é que ele não tem pelas suas características de construção um caráter defensivo, muto pelo contrário, ele serve para atacar, no caso a questão é que ao se colocar um numero maior de armas a disposição vc obrigatoriamente aumenta a violência e a letalidade dos atos, ou seja a venda e a posse indiscriminada de armas só aumenta a violência, sabe vc ataca algo com mais dele, não faz sentido nenhum.
      Alem disso vc tem o direito a legitima defesa garantido por lei, ou seja essa retorica belicista pra min tem mais um caráter econômico que de real preocupação com a defesa da vida humana.

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    5. "São 3 instâncias e elas são assim não só no Brasil, e isso é meio que um concesso e tem a ver com a base de estruturação do direito ocidental. (Não sei te explicar isso muito bem pois nunca estudei historia do direito profundamente)."

      Continua sendo nada "compulsório" nem "sem direito à defesa". Sério, Antonio, sempre soube que você era progressista, mas não que era da laia dos que querem retirar o real valor das palavras.

      "Sim porem com bem menor índice de letalidade, isso é fato!"

      Número de homicídios nos EUA, país com porte de armas legalizado na grande maioria dos CINQUENTA estados: Aprox. 15000

      Número de homicídios no Brasil, em que o porte de armas não é legalizado: 52000

      É, bem menos letal mesmo, e... ah não, pera.

      "A questão principal da arma de fogo é que ele não tem pelas suas características de construção um caráter defensivo, muto pelo contrário, ele serve para atacar, no caso a questão é que ao se colocar um numero maior de armas a disposição vc obrigatoriamente aumenta a violência e a letalidade dos atos, ou seja a venda e a posse indiscriminada de armas só aumenta a violência, sabe vc ataca algo com mais dele, não faz sentido nenhum."

      Por isso que não se dá uma arma na mão de qualquer demente. A posse não é "indiscriminada". Ela será apenas "indiscriminalizada".

      "Alem disso vc tem o direito a legitima defesa garantido por lei, ou seja essa retorica belicista pra min tem mais um caráter econômico que de real preocupação com a defesa da vida humana."

      Ah sei, me defender sem poder andar armado? Ou seja, preciso dar a sorte de roubar a arma do ladrão e de acertar um tiro nele, daí me defendi legitimamente. É, muito lógico e bem defensivo... só que não.

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    6. OK. Porem você pode ter uma arma legalmente no Brasil, não é crime e nen por isso o país é mais seguro por isso. Aqui o site da Taurus (Maior impressa do tipo no país) onde fica bem claro.
      http://www.taurusarmas.com.br/comprar-manutencao-armas-revolveres-pistolas-carabinas-espingardas-metralhadoras

      Você então é a favor da desregulamentação do mercado de armas e de tudo que disse antes (Pelo menos é o que me parece).

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    7. Pode, mas precisa renovar licença todo ano e, para isso, é um trâmite maldito, fora a propaganda do governo (e suas tentativas por plebiscito) para desarmar a população. A briga continua injusta, Antonio. Não adianta regulamentar esse comércio. O bandido não liga para isso, e é ELE, não o cidadão comum, o perigoso, principalmente porque cidadão comum não trafica, rs

      Octavius

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  8. Anônimos comentando? rs
    Que surpresa!

    Parece que os anônimos, coincidentemente, vieram em massa só para discordar do texto. O engraçado é isso ter ocorrido somente com esta publicação dentre tantas no blog. O que será que houve? Quem será que mandou os anônimos todos para cá com o objetivo único de criticar o texto? Grande dúvida paira no ar.

    Estranho é comentar em anonimato numa simples opinião num blog, justo num país em que isso não mandaria ninguém para a cadeia diferente de tantos outros. Por que o anonimato? Será que o objetivo é esconder que não há mais do que uma ou duas pessoas comentando por aqui? rs

    Enfim, tirando a parte dos comentários anônimos feitos - em grande parte - por quem evidentemente leu nem metade do texto, o que mais me surpreende é uma pseudo-historiadora cometer um apelo à autoridade tão grotesco e errôneo.

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    Respostas
    1. Pois é, Roger. Aí quando eu falo que esquerdista não consegue compreender o que é um indivíduo, nego reclama, mas não dá para dizer outra coisa.

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