29 de out de 2013

Manifesto do Nada na Terra do Nunca: Um recorte

"De boas aqui rindo de suas esquerdadas" - Lobão sobre militonto "pogrecista"
"Leia, antes de bater".

É com esta sensata recomendação que se inicia a orelha do mais novo livro de João Luiz Woerdenbag Filho, o famoso roqueiro Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Confesso que, antes de lê-lo, tinha, de seu autor, a pior visão possível, já que não conhecia suas músicas e só o tinha ouvido, em uma entrevista, uma vez na Rádio Jovem Pan (2011, se bem me lembro), sendo que, na feita, disparava contra o funk em uma postura totalmente anti-eclética, algo que, para o Octavius da época, era inconcebível.

Sou réu confesso, também, no que se refere a preconceito contra roqueiros. Após ter visto, em diversos ambientes, esse tipo de fã em sua versão mais pseudointelectualizada criticando funkeiros, sertanejos, pagodeiros e evangélicos por não se encaixarem em seu ideal pouco sofisticado de conhecimento e crítica de mundo - que se resume, in fact, a proselitismo antirreligioso barato aliado a idolatria por determinada banda ou músico -, não consigo mais não ter, de um fã desse estilo musical, uma preconcepção no mínimo pessimista.

JLW Filho, porém, é diferente. Em seu livro, o que vemos (e que comentarei com mais detalhes adiante) não são textos frouxos, fúteis e repletos da mais porca idolatria musical disfarçada de cultura. A música, aliás, e por incrível que pareça, é apenas um elemento secundário no contexto do Manifesto. O que temos, na verdade, são capítulos que, com linguagem acessível, estilo irreverente e único e coragem hoje só superada, talvez, pela de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho, constroem, juntos, o mais sofisticado protesto intelectual dos últimos tempos contra a infantilização política e a venda do esquerdismo em geral como a nova "indulgência", com a qual se conquistaria uma vaga no céu dos puros e moralmente melhores.

Digressão Primeira - Sobre o recorte

Antes, porém, de começar a me aprofundar no livro do autodeclarado reacionário, quero discursar sobre o recorte, gênero que pretendo utilizar daqui por diante quando for resenhar livros. Não sei se já existe como gênero autônomo, mas, basicamente, o recorte octaviano tem por objetivo ser uma espécie de resenha cujo foco é a análise linguística, filosófica e/ou política da obra que estiver sendo contemplada. O que o diferencia da resenha em si? Deixo essas ortodoxias para meus leitores e para os linguistas textuais, responsáveis por esse tipo de sistematização. Enfim, retomemos.

A Genética do Nunca

Quando fala sobre a Terra do Nunca (obviamente, terra brasilis) em Viagem ao coração do Brasil (capítulo 6), Lobão a descreve como uma sina que consiste em haver, de um lado,

 "A luta titânica de um povo que, numa alegria perturbadora, disputa palmo a palmo com a impossibilidade seu pedaço de existência, enquanto de outro prevalecem, intactos, incólumes, perenes e gloriosos, os pilares da nossa ruína" (p. 171-172)

Trocando em miúdos, o que Lobão faz é, na verdade, uma nada superficial Genética do Nunca, ou seja, um exame apurado não só de como se formou mas também de como está, atualmente, tanto o Brasil profundo quanto não tão profundo assim: enquanto protoditadores preferem se preocupar com qual será a próxima imposição "democrática" que será anunciada ao povo - diga-se de passagem, "democratização da mídia" está bem próxima - este, do alto de sua petulância (sqn), prefere se preocupar com tópicos secundários como família, filhos, trabalho e gastos da casa a gastar seu tempo com tamanhas iluministices partidário-ideológicas.

A Fenomenologia do Nada

Tal Genética, porém, é apenas um quarto importante do bolo. Os outros três quartos e a cereja, definitivamente, se mostram quando Lobão faz um acertado diagnóstico do modus operandi da consciência tupiniquim: "Amamos a pobreza" (p. 21) e nossa elite intelectual cria todo tipo de teoria, das mais tresloucadas às mais aparentemente sensatas, para que este platonismo de boteco não venha a perecer. O sagaz roqueiro, então, desnuda os resultados dessa prática:

"Isso gerou uma forma singular de autoengano: nos achamos especiais através dos nossos piores defeitos. Com esses defeitos, criamos uma cosmogonia em que o brasileiro é um ser gentil, sorridente, pacífico, malemolente (o suingue da raça) e único no mundo" (p. 21)

O problema dessa visão, todavia, só é completamente desnudado dois parágrafos depois, quando Lobão começa a lançar uma série de perguntas que o inspiraram em seu livro e que podem ser resumidas em uma só: Afinal, por que temos tanto orgulho do fracasso e tanta vergonha de qualquer mínima tentativa de se obter um pouco mais de sucesso, ou mesmo um pouco menos de insucesso?

Manifesto do Nada na Terra do Nunca para Alguém
  
Segunda Digressão - Detalhismo

O leitor mais atento e/ou mais birrento poderia questionar porque não reproduzi uma a uma das perguntas colocadas pelo "matricida". Respondo que, apesar de mais detalhista, isto ainda é uma resenha e, portanto, meu único objetivo é justamente instigá-lo, amigo leitor, a ler por si mesmo e a tirar suas próprias conclusões, o que também faço em outras situações (aliás, em quase todas). Queixa respondida, regressemos ao que tem pertinácia.

Letra e música do nacionalismo furado

Outro elemento importante no livro de Lobão é a constante manifestação, aliás extremamente pertinente, contra a conhecida - e idolatrada mais do que fundamentalisticamente pela intelligentzia esquerdista brasileira - MPB, descrita no livro como uma sigla de proveta originária de um ultranacionalismo modernista rançoso e de um senso de realidade, como bem pontua o "reacionário", delirante e derivado do Nada em que o Nunca se foi meter..

A consequência mais imediatamente grave dessa filosofice de boteco, porém, foi sentida, de acordo com o "metralhadora giratória", não pelo povo em si (que, convenhamos, só sente isso anos depois, ao perceber que, mesmo com tanta pretensão de conversa, perdeu de WO), mas pelos roqueiros, que, ainda hoje, são tidos pela elite musical cacoética e caquética como "antinacionalistas" ou "vendidos ao americanismo", ou qualquer coisa do tipo - o que, convenhamos, não significa, é lógico, que a apologia furada à revolta que fazem moleques de 15 anos contra tudo que não seja rock seja legítima ou sequer lógica. Aliás, é curioso como o que mostram, na maior parte das vezes, é um revanchismo tosco e profundamente baseado no desconhecimento histórico, pois acusam a todos, a não ser aos clássicos (pois desses, invariavelmente, levariam um verdadeiro sopapo cultural), de "alienados" e "vendidos para os modismos imperialistas americanos". Coerência mandou um abraço.

Ainda neste tema musical, mais curioso ainda é que, ao contrário da maioria dos roqueiros da mídia, que andam mais para "carolas estatizados", como diria o próprio Lobão, o reacionário, apesar de ter ganhado esta alcunha, acaba de certa forma defendendo o funk, talvez o ritmo atualmente mais repudiado inclusive pelos "universitários", outra grife repudiada (e que Lobão repudia também), de seus detratores. Após ousar dizer que, nas atuais circunstâncias, o funk seria o ritmo mais genuíno produzido pelo morro e fora dele, o roqueiro espera as críticas:

"Alguns de vocês podem pular indignados da poltrona, ter um acesso apoplético, voar na minha carótida e vociferar: 'Mas o funk é grotesco, sexista, violento, obsceno, tem letras horríveis, de articulação gramatical que beira dialetos neolíticos [...]' " (p. 47)

E as destrói com apenas duas frases:

"Isso é fato, mas existe uma coisa inegável: é o único, entre todos os outros aqui mencionados, verdadeiro. Ainda não foi reciclado, reinventado, regurgitado, muito menos aprovado pelo intelectual de esquerda." (p. 47)

Quanto ao restante da crítica musical, só resta a mim dizer isto: PCB (Partido do Chico Buarque) não curtiu Manifesto do Nada na Terra do Nunca.

Chico Buarque antes e depois de "Manifesto do Nada na Terra do Nunca"
 Dito isto, voltemos à crítica política propriamente dita.

Investigação acerca da falta de entendimento político do brasileiro

Outro elemento recorrente e importante no Manifesto de JLW Filho é a análise direta e sincera não só de quão desinteressado e inepto o brasileira está para exercer sua cidadania mas também de como o próprio agora reacionário sentia-se órgão de ideologias dignas de serem seguidas (se é que elas existem, rs). Em Confesso a vocês: Sou uma besta quadrada (capítulo 7), Lobão, como nos fala no título, confessa que:

"Durante os muitos anos da minha formação, e até bem pouco tempo atrás, tive uma postura bastante ambígua em relação a uma série de conceitos e ideias sem nunca ter me preocupado muito com esse desleixo ontológico." (p. 175)

Esse "desleixo ontológico" a que o matricida se refere é o fato de ele próprio, por muito tempo, não se preocupar com a qual ideologia uma ideia pertencia, mas sim com o quão potencialmente boa e/ou benéfica parecia. O detalhe é que, assim como eu e muitos outros depois dele, o que Lobão descobriu foi como este comportamento pode, na verdade, servir de arma para projetos de poder capitaneados por corruptos e psicopatas.

Por mais que eu mesmo seja a favor das Cotas Raciais como ação isolada - e aqui discordo do roqueiro e de muitos amigos direitistas, mas prometo articular minha discordância apenas em outra feita -, por exemplo, sou obrigado a reconhecer que, vindo da estrela vermelha, esse projeto seria generoso demais para vir gratuitamente e isoladamente, sem fazer parte de um projeto maior de poder, como de fato faz. O que Lobão descobriu, e eu também, é que não é porque um discurso se diz pró-minorias que ele não pode ser, na verdade, apenas mais um instrumento na busca esquerdista pelo poder político (pois a hegemonia cultural eles já ganharam há décadas). Nesse sentido, então, fica ainda mais legítima a ideia de que toda ideia mal formulada deve, invariavelmente, ser vulnerável ao questionamento.

Acredito, contudo, que a insistência  do brasileiro, especialmente universitário, em se recusar a maiores especulações políticas está em uma das perguntas inspiradoras do Manifesto: Afinal, "Por que ser tão reativo a qualquer ideia que não seja a oficial aceita nos meios intelectuais?" (p. 21) e, em especial, que não seja televisionada no jornal das 20h?

Concluindo

Enfim, estas foram apenas algumas das considerações possíveis para este bom livro. Poderia, também, ter abordado a visão do papel do indivíduo perante o coletivo ou as críticas de Lobão à antropofagia modernista de Oswald de Andrade, ou mesmo ter exposto mais de suas boas críticas à MPB e ao espírito "Semana de 1922" do intelectual e do artista brasileiros, mas prefiro deixar isto para que o curioso leitor leia por si mesmo e aprecie esta obra que não pode ser descrita como algo menos do que um grande protesto literário contra a indigência intelectual em vigor em terras tupiniquins.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e desliza, ocasionalmente, pelos caminhos da filosofia. Desprezava Lobão, Constantino, Tio Rei e Olavo, mas conheceu seus detratores. É considerado "de direita" desde que, pela primeira vez, questionou publicamente os dogmas progressistas.

27 de out de 2013

Falácias: Falsa Dicotomia / Falso Dilema

Olá, amigos leitores, e este é mais um post sobre falácias deste blogueiro que vos escreve, lembrando sempre que adota-se, nestes posts, a definição de Octavius (2013) sobre falácias, ou seja, de que falácias são "todo tipo de argumento enganoso, o típico argumento que, para uma visão menos atenta e apenas estrutural, parece estar correto, mas que tem alguma falha lógica ou semântica em sua constituição ou em sua conclusão.".

Enfim, veremos hoje a muito comentada mas quase sempre mal-contextualizada Falácia da Falsa Dicotomia ou do Falso Dilema ou ainda da Bifurcação. Basicamente, esta falácia consiste em apontar como possíveis e inevitavelmente divergentes apenas dois caminhos que podem ser, na verdade, convergentes, corretos de maneiras diferentes ou ambos errados. 

Muito abstrato, amigo leitor? Então vamos aos trabalhos (BIAL, 2001) e aos exemplos.

Um primeiro exemplo muito comum nas mídias em geral e até mesmo no meio acadêmico é o seguinte:

FALÁCIA I: "Quando se fala em direitos dos gays, dos negros, dos ateus e de outras minorias, temos, basicamente, a seguinte oposição: De um lado, vemos o discurso religioso contra esses direitos, e de outro vemos o discurso dos Direitos Humanos legitimando-os."

Obviamente, a fala não é exatamente essa, mas a ideia central está descrita perfeitamente. Segundo esse discurso, quando se fala, por exemplo, sobre casamento gay, um dos alegados "direitos das minorias" - apesar de não se explicitar o que se entende por direito e se realmente todos os membros da minoria em questão desejam isso -, haveria, supostamente, uma oposição entre o discurso religioso, anti-casamento gay, e o discurso dos Direitos Humanos, pró-casamento gay. Quando examinamos, porém, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (disponível em muitos sites diferentes na Internet, inclusive em PDF), vemos que este não é bem o caso. Peguemos, primeiro, a questão de oposição já natural entre Direitos Humanos e discurso religioso. No artigo 18º, vemos, por exemplo, que:

"Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião;
este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de
manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo
ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."
 
Ou seja, a manifestação de convicção religiosa, ou o próprio discurso religioso em si, não são, per se, contrários aos direitos humanos, mas sim condições sem as quais esses direitos não seriam plenamente cumpridos. Isto significa que, ao contrário do que pensam alguns iluminados seres cujos conhecimentos sobre laicidade estão limitados ao livro escolar e nada mais, cercear discurso religioso não é lutar pela liberdade, manter a laicidade do Estado ou assegurar o cumprimento dos Direitos Humanos, mas sim contribuir para, progressivamente, derrubar todo esse cabedal de conceitos em que se apoia a civilização ocidental.

Creio, assim, ter demonstrado a falsa dicotomia entre o discurso dos Direitos Humanos e a existência de um discurso religioso. Resta, então, mostrar a falsa oposição entre discurso religioso e discurso dos Direitos Humanos no que tange ao casamento entre homossexuais (ao qual, note-se, sou favorável, antes que venham me acusar de crimes que não cometo neste post). 

O caso é que, para desfazer esse ledo engano, é preciso lembrar que, ao se opor ao casamento gay, o discurso religioso se baseia principalmente em uma concepção de família tradicional e ainda vigente de que só se constrói uma família a partir da união civil e/ou espiritual entre um homem e uma mulher. Curiosamente, há, no 3º parágrafo do 16º Artigo da já citada carta, algo curioso sobre a família. Diz-se que:

"3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado"

Considerando que o texto da Declaração é de 1948, uma época em que sequer se ponderava sobre outras concepções possíveis para a palavra "família", não é muito difícil perceber que este parágrafo em questão, na verdade, legitima grandemente o discurso religioso, pois parte da mesma definição dada por este para o elemento família. Isto significa que, a não ser que uma nova Declaração tenha sido escrita nos últimos anos e não tenhamos sido avisados, esta dicotomia também não existe.

Há, porém, uma outra dicotomia mais grave do que essa, e ainda mais recorrente tanto na mídia quanto no meio acadêmico (!!!): a de que religião (ou fé) e ciência são indissociáveis, ou seja, de que uma coisa não pode auxiliar a outra ou a ela se misturar. O discurso seria, mais ou menos, o seguinte:

FALÁCIA II: "Seguinte, seu crentelho criacionista que acredita que o homem veio do barro, o papo é reto: Ou ciência, ou religião. As duas não se bicam, e o caso Galileu prova isso."

Fora o fato de que nem todo crente é criacionista ou acredita que o homem veio do barro, e que Galileu não foi preso por suas ideias físicas, mas sim por sua impostura intelectual contra homens mais poderosos e por suas ideias metafísicas - Gleiser em "A Dança do Universo" (1997, se bem me lembro) elucida muito bem este ponto -, esse discurso de dicotomia entre a ciência e a fé, ou, melhor dizendo, entre ser cientista e ter fé em algum tipo de ser absoluto que tudo rege e tudo vê cai por terra ao vermos que dois dos homens que mais mudaram as ciências no último século, Mendel e Lemaitre, eram religiosos fervorosos e profundos conhecedores de suas doutrinas. Poderíamos citar, também, o Dr. Francis Collins, geneticista cristão responsável pelo Projeto Genoma, entre tantos outros, incluindo o "catolicão" Descartes, um dos principais responsáveis pelo advento da Modernidade e, junto com ela, do MÉTODO CIENTÍFICO. E então, será mesmo que essa oposição existe?
 
"As contas me dizem que parece que você... é mó lesadão, rçrç" - Marcelo Gleiser para militonto "pogrecista"
Enfim, that's all there is to it. É isso que tenho a vos falar sobre falsas dicotomias, e espero ter ajudado-lhes a detectá-las com mais sapiência e facilidade doravante. De qualquer forma, posto, em seguida, mais alguns exemplos e mando-lhes meu forte abraço, amigos leitores.

FALÁCIA III: "Como assim você é ateu e moralista ao mesmo tempo? Ora, mas se isso é coisa dos religiosos retrógrados!" (Como se, para ser ateu, despreocupação com a preservação de conceitos morais úteis fosse conditio sine qua non)

FALÁCIA IV: "É corinthiano e sabe português? Poser!" (Nem preciso dizer, correto?)

FALÁCIA V: "Lê Olavo de Carvalho, mas é um cara legal" (Frase dita, geralmente, pelos que não leram nem querem ler. Falsa dicotomia e pré-concepções negativas, para completar, rs)

Sobre o autor: Octavius é graduando em Letras e percorre, tortuosamente, os caminhos da Filosofia. Foi progressista e antirreligioso até descobrir como a crença no Estado pode levar ao fim da compra livre do sorvete de que tanto gosta. Escreve apenas neste blog porque foi considerado, felizmente, "muito fascista e retrógrado" por outras freguesias.

14 de out de 2013

A Poética da Incultura - Poemas de Brasilismo - Parte I

Universitário

Universitário não faz
Pesquisa
Pelo fingimento desliza
chega a negar o óbvio
por lhe parecer assaz
Impróprio

Cientista

Num jardim sem éden,
Adão volta à nudez

Professor de Português

Na escola, aprendi três coisas:
Português brasileiro e fazer contas

Plágio

Já dizia o ditado:
"Quem com PC plageia,
com PC será envergonhado"

Opinião

Na democracia, nada se cria, tudo se copia,
mas quando a cópia se universaliza
chamam-na "opinião"

NOVOS PODCASTS:

7 de out de 2013

Eu, Apolítico: Pena de morte e por que não devemos atacá-la (ou: A verdadeira Causa Perdida)

Olá, amigos leitores, e, depois da sátira do post anterior, é hora de retomar a seriedade com a série "Eu, Apolítico".

Há algumas horas, veio até mim, por meio de uma publicação alheia no Facebook, um artigo postado no site Literatortura, famosíssimo por postar curiosidades e por seus articulistas que, não com pouca frequência, esquerdam, e escrito por um certo Lucas Lucena Sonda e adendado por uma tal Luisa Bertrami. O nome do artigo já diz tudo: Pena de morte e por que não devemos acatá-la. Após lê-lo, percebi que se tratava de uma das objeções mais "disfarçadas" contra a Pena Capital em nome do progressismo. O que quero dizer com isso? Hora de esclarecer.

Ao começar a argumentar sobre o tema, depois de citar um caso raro ocorrido em uma região cuja mentalidade e costumes são totalmente diferentes dos brasileiros e de informar ao leitor que o Direito brasileiro preza a reabilitação em detrimento da punição, Sonda declara, em alto e bom tom, que

Trancafiar alguém pelo resto de sua vida é tomá-lo arbitrariamente como incapaz de se readequar às condições de harmonia social. Imensamente mais agressivo, matar um indivíduo enquadra-se na mesma toada. A prisão perpétua pode significar, em alguns casos, possibilidade de reversão da pena, enquanto a pena de morte traz a noção de julgamento absoluto, afinal, nada se pode fazer depois que a corda ajeitada ao redor do pescoço se transforma em um algoz sufocante.

Eis, aqui, a primeira premissa a ser questionada na mentalidade sondiana. É fato que a Pena de Morte carrega a noção de julgamento absoluto e que trancafiar alguém é encará-lo como impossível de ser reinserido na sociedade. O detalhe é que, ao contrário do que diz o cientista econômico, esse trancafiar, de arbitrário, nada tem, pois, por definição, arbitrário é tudo aquilo que depende exclusivamente da vontade de alguém. Considerando isso, e sabendo que a Pena de Morte seria destinada exclusivamente aos crimes hediondos, sinceramente não consigo ver como se escolheu "arbitrariamente" como hediondos atos como Homicídio QualificadoLatrocínio (roubo seguido de morte), Estupro de Vulnerável ou Genocídio.

Direito ou Sociolinguística?

Sonda, porém, parece ignorar a crueldade desses crimes e prossegue:

Negar ambas as alternativas, como faz o Brasil, é louvável, dentro do meu ponto de vista. Não há na figura da polícia e de um tribunal penal quaisquer subsídios técnicos ou morais para jogar o indivíduo numa cela pelo resto dos seus dias, muito menos para tirar-lhe a vida.

Isto porque, é óbvio, atentar contra a vida humana ou abusar sexualmente de alguém sem lhe dar direito de defesa ou de alguém que nem noção tem sobre tesão, sexo e outras coisas do tipo não é, objetivamente falando, um motivo "técnico" ou "moral" suficiente para tirar um canalha de circulação. Eis uma noção de justiça de dar inveja a qualquer líder de milícia armada.

A real motivação de todo o artigo, porém, vem a seguir, quando, em um raciocínio extremamente semelhante  ao de certo sociolinguista que teoriza sobre preconceito linguístico considerando opressor e oprimido como categorias fixas, e não como categorias que mudam de acordo com o contexto em que se interage, Sonda diz que:

É necessário considerar a formação histórica da sociedade, as motivações do delito e a possibilidade, mesmo que ínfima, de o indivíduo se reintegrar, deixar de repetir os erros passados.

Entendem qual é o ponto então, amigos leitores? De modo semelhante a Sakamoto em seu infinitamente comentado e chacoteado artigo Ostentação deveria ser crime previsto pelo Código Penal, Sonda tenta não atentar contra a vida humana de alguém que já atentou contra outra vida humana com a justificativa de que a formação histórico-social da sociedade não foi justa ao meliante - como se a vida fosse justa, algo em que só comunistas e anarquistas fingem crer- que, por isso, teve "motivações" para cometer ato ilícito.O problema é que, muito diferentemente do que o Foucault literatorturiano tenta inferir, este tipo de raciocínio criminaliza apenas uma pessoa: a vítima desse tipo de crime, que, em um dia de puro azar, pegou a "vítima da sociedade" querendo, com as próprias mãos e sem nenhum tipo de pudor burguês - aqueles pudores reacionários como "respeito ao outro" ou qualquer outra baboseira que não leva em conta a "formação histórica da sociedade e as motivações de um delito" -, fazer "justiça" a favor de si mesmo e receber de volta tudo aquilo que nunca lhe foi reservado para início de conversa, ou apenas fazer birra contra os pais que nunca lhe deram uma Lamborghini. É, agora estamos em outro patamar na inveja: os líderes do PCC e do Comando Vermelho já começaram a se interessar bem mais pelos escritos de nosso amigo sofista de boteco.

"Mas esse garoto é muito inteligente!"
Outro detalhe de que se esquecem tanto o autor desse texto quanto Sakamoto é que, objetivamente falando, um crime não se justifica porque quem o comete foi "injustiçado" e/ou teve "motivos" para isso. Se formos seguir este raciocínio, teríamos de justificar ou até mesmo aceitar como não passíveis de punição rigorosa crimes como os do Regime Militar de 1964, um regime de esquerda odiado pelas esquerdas, os do Nazismo Hitleriano (afinal, Hitler também foi "injustiçado" na vida, não?), outro regime de esquerda odiado pelas esquerdas, e o regime Stalinista e Comunista da antiga URSS. Curiosamente, nessa sanha de "sociolinguisticizar" o Direito, Sonda joga para escanteio o mais básico princípio pretensamente advogado por esses e outros "cientistas sociais": a dignidade humana.

Retomo isto, entretanto, mais adiante. Vamos agora aprender lógica com Lucas Sonda.

Sonda, o cético crédulo

Em uma incrível demonstração de ceticismo, Sonda pontua, corretamente, que:

A organização do sistema penal, com seus alicerces punitivos e preventivos, castiga o transgressor e o toma como exemplo para evitar novos crimes. Mas isso acontece de fato?

 De fato, a pena mais rigorosa não costuma inibir novos crimes (apesar de os EUA, país com Pena de Morte legalizada, terem uma população 1,5x maior do que a brasileira e não terem sequer a metade do número de homicídios que temos anualmente), mas o caso é que, ao mesmo tempo em que não confia na Pena de Morte, que efetivamente retiraria o criminoso de vez de circulação, evitando que ele voltasse a cometer delitos de qualquer natureza, o literatorturiano parece ser um carola dos mais beatos na reabilitação psicológica, pois vocifera que:

Satisfazendo a preocupação alheia, mesmo com o limite de 30 anos para a condenação comum, os casos de deficiência mental que giram em torno de estupradores, esquizofrênicos com potencial transgressor reincidente e demais criminosos que não possuem poder intrínseco para traçar suas próprias ações com consciência, ainda estariam habilitados para a condenação em instituições psiquiátricas, com pena renovável e no aguardo de soluções médicas. Ou seja, a constituição já prevê um destino adequado para todos os infratores, relevando a possibilidade de recuperação psicológica, social e clínica de qualquer um deles.

Fora o fato de tomar o estuprador como simples criminoso motivado pela deficiência mental, e não por tara sexual pura e simples, ou mesmo por canalhice e falta de noção de respeito ao outro (ou, principalmente, à outra), é muito revelador o modo como Sonda deixa transparecer sua fé quase que fundamentalista não só na Psicologia mas também, muito curiosamente, NO PRÓPRIO SISTEMA PENAL, que ele havia rotulado como ineficiente no parágrafo anterior. 

Nada, porém, é pior do que o que Sonda diz no mesmo parágrafo em que demonstrou tanto ceticismo. Segundo o Sakamoto sem doutorado:

A diminuição não significativa das infrações em países com penas de morte estabelecidas é um contra-argumento poderoso defronte a crítica de que o Brasil possui penas muito brandas. Ao passo de que a ameaça com a cadeira elétrica se mostra insuficiente para inibir novos crimes, não sejamos levianos a ponto de nos julgarmos capazes de condenar outrem à morte.

Ou seja, amigos leitores, se, em países nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão), for adotada a Pena de Morte e ela não fizer cessar completamente todos os crimes hediondos possíveis e imagináveis, isto significa que, mesmo que haja uma diminuição já significativa desses casos - pois não é todo tipo de infração que é condenada à Pena Capital, algo que Sonda intencionalmente esquece -, a Pena de Morte é ineficiente e não deve ser aplicada. Aristóteles (à direita) rejubila-se com como a lógica que criou é bem usada pelos apologistas da "dignidade humana".

"Ei, mestre, ele usou mesmo nossos escritos... PARA ISSO?"
Aliás, falando nela, hora de voltarmos de vez ao ponto principal do texto.

A metafísica da indignidade

Não devemos dar ouvidos aos ativistas dos “direitos humanos para humanos direitos”, que tratam de caracterizar o criminoso como inferior e não merecedor de um julgamento “humano”. Não lembram, eles, que muitos delitos são subproduto da exploração social, da fome, da ganância própria do sistema, da necessidade absoluta ou até mesmo de desvios de saúde mental.

Retomando o adágio, um erro não justifica outro. Não podemos condenar friamente à morte aquele que cometeu homicídio e achar que se trata de justiça. A lei de talião já se desfez dentro dos Estados democráticos há um bom tempo, felizmente. Não a ressuscitemos sob a ótica de que “bandido bom é bandido morto”.

Eis, então, o ponto máximo de contradição do texto do Vladimir Safatle jovem. É justamente por pensar que a injustiça sofrida por um por causa do "sistema" - ah, essa entidade anônima tantas vezes invocada, mas tão pouco compreendida - justifique qualquer de seus atos que Sonda consegue, em um salto metafísico impressionante, subverter a lógica e igualar tratamento indigno a uma vítima com tratamento digno a um criminoso. Afinal, segundo ele, apesar de o criminoso não ter oferecido à sua vítima qualquer "julgamento humano", este, por ter sido vítima do sistema, da injustiça social e da fome - desvios mentais sequer são comentáveis ou plausíveis de serem citados, pois o louco, justamente por sê-lo, é considerado incapaz de responder por seus atos e já é levado à clínica de reabilitação, onde fica, na realidade, pelo resto de seus dias -, deve, de qualquer maneira, ter um julgamento desse tipo.

Vladimir Safatle observando a brilhante argumentação de seu maior (e único) discípulo
O mais fascinante deste excerto, entretanto, é, mais uma vez, a contradição lógica dentro do pensamento sondiano. Afinal, se "um erro não justifica outro" e se "a lei de talião já se desfez dentro das democracias", por que então errar ao não punir rigorosamente alguém que, ao usar uma pessoa que nenhuma relação direta tem com sua sina, aplica justamente a lei de Talião e comete um erro injustificável?

Não digo, porém, que realmente devamos dar qualquer ouvidos às pessoas que gritam "direitos humanos para humanos direitos". Não uso, porém, o argumento de Lucas, pois não é isso que está em jogo. O que está em jogo é que, em uma era em que o falso relativismo sobrepujou e jogou ao limbo qualquer tentativa de moralizar objetivamente uma determinada sociedade, o pior risco que se corre é o de que "humano direito" passe a ser sinônimo não do cidadão que "anda na linha", mas daquele que, sob o pretexto de estar protegendo a "dignidade humana", seja forçado a defender publicamente todas as causas adoradas pela intelligentzia progressista (pois neutralidade é coisa de gente que "se alinha com o vencedor", como se eles já não tivessem vencido a guerra cultural).

Isto tudo, ainda assim, só se aplica quando analisamos o lado secundário de toda essa questão. É hora, então, de finalmente entender qual é a real Causa Perdida em tudo isso.

A verdadeira Causa Perdida

Muito ironicamente, não é no texto de Sonda, mas sim no adendo de Bertrami, que chegaremos à real Causa Perdida (e maiusculizo "causa perdida" por ser este o nome da seção em que se encontra isso que se convencionou chamar de artigo). Depois de sair com um dos maiores declives escorregadios da história da internet - e aqui imagino que o leitor, perspicaz como sempre, fará muito bem o trabalho de descobrir por si mesmo a falha lógica no argumento de Bertrami, poupando-me de explicitá-la -, a revisora do artigo (e, sinceramente, deveria ter ficado apenas nisso) nos informa que:

A ideia de que a prisão não ressocializa ninguém – que é a justificativa, muitas vezes, para a pena de morte – talvez tenha sua origem e explicação no fato de não haver, de fato, interesse em ressocializar ninguém. Buscamos bodes expiatórios que carreguem sozinhos a culpa e os punimos, num movimento de punição por punição que tem como objetivo acalmar um sentimento de vingança e nos isentar de uma culpa que é social, coletiva, e não individual. (itálico meu)

Fica clara, então, a lógica, que também aparece diversas vezes, só que travestida, no texto de Sonda. Apesar de, na totalidade das vezes, ser um indivíduo ou um bando deles que cometem os crimes, Bertrami nos diz que a culpa, por ser coletiva, é de todos, não apenas deles. Isso significa, em termos práticos, que não é a falta de respeito ao outro ou a pura e simples falta de senso de proporções que motiva os crimes, mas sim a crueldade do "sistema", ou, nas palavras de Lucas, "a exploração social, a fome, a ganância própria do sistema, a necessidade absoluta". Imagino, então, que esses dois ficariam fascinados ao descobrir como é expressivo o número de jovens que, sem qualquer necessidade ou distúrbio mental comprovado, saem por aí espancando mendigos, ou mesmo que, apesar de tudo o que dizem, roubar algo para comer é uma coisa, enquanto arrastar um menino de 6 anos com um carro por sete quilômetros não tem outro nome senão atrocidade.

Enfim, de qualquer modo, a verdadeira Causa Perdida não é a luta contra a instituição da Pena de Morte. Assumir isso seria como negar o fato de que quase toda elite intelectual do Brasil, assim como Lucas, Luísa e tantos outros blogueiros, são progressistas até a medula e, portanto, bloqueariam de todas as formas qualquer tentativa de instituir algo sequer parecido, quanto mais a própria Pena em si. A Causa Perdida é, na realidade, justamente o romper com essa mentalidade de que um crime se torna menos crime e menos passível de punição rigorosamente apenas porque "o sistema é ganancioso" ou porque "o criminoso tinha motivo". Dizer isso é esquecer que, antes de qualquer "luta contra o sistema", deve vir a vida e a segurança de quem quer apenas isso: a garantia de viver pelo menos enquanto sua saúde ou a fatalidade o permitirem. Não é agindo com leniência diante do delito que isso acontecerá. O que vem acontecendo, aliás, é justamente o contrário.

Sobre o autor: Octavius é graduando em Letras e percorre, tortuosamente, os caminhos da Filosofia. Ainda assim, já consegue, sem a ajuda de aparelhos, ser cético aos projetistas do mundo melhor. Escreveria mais e sobre mais coisas se estivesse inspirado e se tivesse tempo.

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50º Podcast de Octavius: Por uma educação CÉTICA (ou não) e uma proposta de como encarar a educação

6 de out de 2013

Anti-Psicologia do Prazer: Um ensaio acadêmico sobre a contemporaneidade

Introdução

Após alguns exames sobre a condição humana contemporânea - e não falo no sentido habitual, o de condição como sinônimo de "natureza", mas sim como algo deveras temporal -, consegui chegar a uma hipótese (o que, no fundo, nada quer dizer) interessante. Ao que parece, vivemos em um tempo durante o qual há se faz necessário praticar a Anti-Psicologia do Prazer. Que é isso? Vamos às explicações.

Prazer

Para uma correta exegese do conceito em jogo, o primeiro elemento que deve ser compreendido e compreensível é o conceito de prazer, que aqui uso como a sensação de gozo, de êxtase perante algo ou alguma coisa (deve ter sido FREUD, em 1980, que deu essa definição, né? Ou será que foi FOUCAULT em 1900? Ah, enfim...).

Há, lógico, outras definições, mas delas não lembrei ou simplesmente não quero usá-las. Se quiser achá-las, leitor, procure por si mesmo, pois não nasceu quadrado, e porque devem existir, pelo menos, umas 69 definições.

Psicologia e Anti-Psicologia

Indo, agora, ao lado nada prazeroso, tomo Psicologia como uma meia-farsa (e o "farsa" aqui não é um rotacismo) e como o estudo dito neutro - mas cada dia mais profundamente alinhado com as forças reacionárias e retrógradas que comandam a nação - da mente e da psiquê (acho que se grafa assim, ou pelo menos assim grafou ZaraNietzsche em seu texto de 1920) humanas. Já a Anti-Psicologia, esta sim uma farseira verdade, é a arte de tentar mostrar às mentes e psiquês como elas devem agir em prol de um objetivo maior - aquelas coisas do tipo "mundo melhor", "almoço grátis", "Lula" e outras virtuosidades.

Mas, de qualquer forma, ainda não respondi (e nem sei se vou responder, pois o leitor é perspicaz e está me entendendo tanto que poderá fazer as associações necessárias à compreensão do fenômeno) à pergunta principal: Afinal, qual a relação entre Anti-Psicologia e Prazer?

A Geração Ponto G

Deixo aqui, antes de tudo, a coisa bem às claras: A mitologia do prazer, apesar de apresentar uma visão de mundo retrógrada e preconceituosa, ainda se perpetua, principalmente, por causa do movimento contra  a Anti-Psicologia do Prazer por meio daquilo que eu chamo de "descomandos paraprazerais" (e aqui me inspiro no genial teórico Márcio Begno, do delicioso livro Como fazer: Preconceito Linguístico).

Hora, então, de explicar o que é tudo isso. A Anti-Psicologia do Prazer - que daqui em diante chamaremos de BXHTBN "porque eu quis" - consiste em tentar mostrar à psiquê popular o quão retrógrados são os atuais conceitos sobre Ética, Moral e até Ciência, passando, então, a pensar tudo em termos de Prazer x Não-Prazer, o que educadores preocupados com as reais necessidades da população já comprovaram ser bem mais eficaz que a religiosidade reacionária e fascista das elites.

Porém, justamente quando, finalmente, começamos a subverter a mitologia do prazer, fazendo as pessoas deixarem de ser contra o Aborto por não mais pensarem que isso atenta contra a vida humana e aceitarem a banalização do sexo porque "quem cuida do meu nariz sou eu", e destronar a pseudo-liberdade burguesa que não permite que todas as drogas, apesar de estas causaram problemas de saúde ainda piores do que o cigarro (que não pode, porque é um símbolo do fascismo e do conservadorismo), vêm dois ou três jornalistecos fascistas e retrógrados (os "descomandos paraprazerais") e começam a nos difamar dizendo que estamos pervertendo, com a ajuda da mídia, a ordem. Ora, mas como, se temos apenas 99% da mídia ao nosso lado?

É por isso, então, que a ação da BXHTBN é essencial. É hora de acabar com a mitologia do prazer e seu conservadorismo fascista, reacionário e retrógrado!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BEGNO, Márcio. Como fazer: Preconceito Linguístico. Editora Escreva: Acre, 1986
FOUCAULT, Misheu. A mitologia do prazer. Trad. de Octávio Henrique. Mercado dos Números: Bolívia, 1900.
FREUD, Segueomundo. Interpretação do 69. Trad. de Tio da Cantina. Mautempo: Rua Augusta, 1980.
ZARANIETZSCHE, Fred. Assim Grafava Zara, mula!. Trad. de Leôncio do Picapau. Martin Escuret: Morro da Babilônia num barracão sem número, 1920.



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