31 de ago de 2013

Quebrando o Encanto do Progressismo: Japoneses e o Politicamente Incorreto

"Muitos samurais eram funcionários públicos preguiçosos e beberrões"

Só por isso, já seria mais do que recomendável dar pelo menos uma olhadela no Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo (Leya, 2013), do genial jornalista Leandro Narloch. Francamente, quem crê na versão antiamericana da Segunda Grande Guerra, na versão brasileira de cultura japonesa como apenas um punhado de danças e músicas "bonitinhas" e na versão rousseauniana sobre o homem japonês ou é inocente demais (o que, por não acreditar em inocência política e derivados, descarto de cara), ou desinformado (e digo mais: desinformado porque quer). Vejamos, então, se, mesmo antes de ler o ensaio de Narloch, posso trazer alguma luz sobre aspectos a nós desconhecidos da sociedade japonesa.

Estupra e mata, mas dança
 
Primeiro, quando falo em versão antiamericana da Segunda Grande Guerra, refiro-me, obviamente, ao claro antiamericanismo presente em alguns que contam a história sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e afirmam, com um vocabulário digno do progressismo mais barato e chulo, algo do tipo "os estadunidenses criminosamente jogaram duas bombas atômicas no Japão e tornaram esse povo honrado mais uma vítima de seu cruel imperialismo".

O caso é que, ao contrário do que os marxistas debiloides que formulam esse tipo de enunciado querem fazer-nos crer, as duas bombas atômicas, uma em Hiroshima e outra em Nagasaki (curiosamente, um porto que foi, por muito tempo, o maior polo de cristãos do Japão), foram MERECIDÍSSIMAS, e quiçá aquém do devido. Não é preciso sequer sair mesmo da comuníssima Wikipédia para se informar sobre os 3 a 10 milhões de cidadãos do Sudeste Asiático e também de outras regiões assassinados sem piedade e das formas mais abomináveis possíveis, fora os casos de estupros coletivos promovidos contra mulheres e crianças dos países dominados, que, estranhamente, guardam marcas e mágoas contra os "honrados samurais" até hoje por causa dos acontecimentos. Devem ser apenas ressentidos, não é mesmo?

Sem mais controvérsias (por enquanto) em torno do primeiro tópico, passemos, então, às representações da cultura japonesa no Brasil. Fora o caminhão de bobagens sobre os samurais e sobre os japoneses em geral (sobre os quais comento mais tarde), o que se faz entender por "cultura nipônica" por aqui são um punhado de danças que, retiradas de seu contexto histórico, mais parecem um antídoto contra a insônia do que o que de fato eram, ou seja, formas de expressão artística e mesmo política, visto que, em muitas ocasiões, eram usadas, junto com o saquê e com o chá, como instrumentos para acalmar os ânimos e facilitar todos os tipos de negociações, desde cessar-fogo a "simples" trocas comerciais. Não é difícil ver, assim, mais um ponto em que a visão ocidental está, no mínimo, deturpada. 

Rousseaunianismo e mais distorções

"Vocês acreditaram mesmo nas merdas que eu escrevi?" - Rousseau sobre seus crentes
Nada, entretanto, consegue superar a bizarra ótica ocidental sobre qualquer oriental, fabricada, em especial, por Rousseau e suas defecações sobre a natureza humana (ou, mais popularmente, o "Mito do Bom Selvagem"). Segundo o simplismo de alguns ocidentais, resultante talvez da pior mistura possível entre duas "filosofias" de quinta (no caso, o rousseaunianismo e o marxismo), japoneses, chineses e companhia ilimitada são os maiores representantes da honra, da pureza e da justiça samurai na terra, e qualquer um que diga o contrário disso é só mais um defensor da opressão, da burguesia e outras histórias.

O problema é que, para o desespero dos rousseaunianos de meia pataca, "samurai", no Japão feudal, era apenas o nome de uma classe social a que, na imensa maioria das vezes, não se ascendia pelo mérito, mas só servia para dar status aos mais poderosos ou melhor relacionados senhores feudais, e, por ser classe social, era herança passada de pai para filho, independente de qualquer tipo de conquistas pessoais. O corporativismo samurai, aliás, era tão forte que acabou por destrui-los completamente durante a Era Meiji, após diversas reformas sociais promovidas pelo imperador homônimo.

Fora tudo isso,  e mais uma vez ao contrário do que reza a cartilha progressista, crueldade não foi nada incomum na história oriental. Deixando de fora chineses e outros asiáticos que não nos interessam por hora, tomando como exemplo, um intervalo pouco conhecido pelo grande público, de 65 anos do feudalismo nipônico (no caso, aprox. de 1550 a 1615), o povo japonês presenciou e foi cúmplice de uma série de usurpações de domínios feudais até mesmo entre familiares (como no conflito entre Saito Yoshitatsu e seu pai, Dosan, a serpente de Mino); do massacre promovido por Oda Nobunaga contra uma seita de monges budistas (que, de "honrados e inocentes samurais", nada tinham); da perseguição de Toyotomi Hideyoshi, o psicopata-mor da Sengoku Era, a cristãos, forçando muitos deles a se exilarem em Nagasaki ou abdicarem de sua fé e de duas tentativas frustradas de tomada da China passando pela Coréia por parte do mesmo Hideyoshi, entre outras bizarrices mais que só comprovam, de fato, que Rousseau era nada mais do que mera fraude intelectual.


Narloch no auge de seu "revisionismo" (apesar de acertar em cheio sobre samurais)
E, enquanto isso, você, amigo progressista brasileiro, do alto de sua superficialidade indigna até mesmo do mais fútil dos homens e de seu completo desprezo por qualquer parte da história que não lhe agrade e que não seja um ataque ao "imperialismo americano" (o que quer que isso signifique), além de acusar Narloch de "revisionismo" ou alguma sandice do tipo, ainda crê na "honra dos samurais". Seria cômico, mas, ao invés disso, é deprimente, pois, para ser trágico, ainda precisaria haver um alto grau de sofisticação filosófica e linguística.

O fato é que, independente do choro, eis Rousseau morto, e quem o matou não foi a pós-modernidade, mas os fatos. Pena que, pelo visto, o mesmo não ocorrerá com o progressismo.

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