30 de jul de 2013

Leonardo Sakamoto e o relincho neo-atoa: "Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu"

Olá, amigos leitores, este é mais um dos nossos papos juntos, e desta vez vou apresentar-lhes algo mais obsceno do que pornografia zoofílica: o blog do (des)cientista político, jornalista e professor da Progressista Universidade Comunista, digo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Leonardo Sakamoto, cujo Lattes não vale nem a pena procurar.

Sim, é aquele mesmo Sakamoto cuja Filosofia vai desde afirmar que ostentação deveria ser crime previsto no Código Penal a pregar que, já que as escolhas de produtos dentro da ordem capitalista são limitadas, a liberdade não existe e não há motivo para não se destruir o Capitalismo (eis um: manter o mundo a salvo do Comunismo, mas não é isso que quero discutir aqui). Pena que, se fosse realmente discutir tais pensamentos em toda a sua complexidade, precisaria, além de muitos sacos de vômito, de um livro, e não um artigo.

Sakamoto ostentando "Filosofia" e matando de tédio a estátua de Drummond
Hei, porém, de segurar toda a minha ânsia para apresentar ao leitor algo que, talvez, seja o auge que a filosofia sakamotiana já tenha atingido - e o faço única e exclusivamente porque Flávio Morgenstern, do Implicante, ainda não o fez (e pelo visto não fará, pois esperar um novo artigo em sua página está mais difícil do que acreditar em mula-sem-cabeça).

Desta vez, depois de ficar indignado ao ler em um artigo de Mônica Bérgamo que certo bispo disse acreditar ser natural que um pastor evangélico possa ser Presidente da República no futuro, Sakamoto resolveu assumir de vez seu neo-ateísmo e seu coitadismo antirreligioso e escrever, em algo que se convencionou chamar de artigo, sobre as suas esperanças de ter, no futuro e "se Deus quiser", um presidente ateu, o que quer que Sakamoto entenda por isso.

O artigo, intitulado Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu, começa com tom indignado:

Em resposta à Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo deste domingo (21), o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja “Sara Nossa Terra”, afirma que acredita ser natural o país ter um evangélico na Presidência da República no futuro.

Pergunto-me, com toda franqueza, qual seria o problema de o bispo ter essa crença na posse. Afinal, com o crescente número de evangélicos no Brasil, apesar de todas as suas cisões, não é mesmo de se surpreender que um deles ascenda à presidência.

Como, porém, explicação é coisa para os fracos, Sakamoto apenas nos informa que:

Se não me falha a memória, o Brasil teve seu primeiro presidente protestante na figura do presbiteriano Café Filho, que assumiu o país por pouco mais de um ano após o suicídio de Getúlio Vargas, não tendo sido eleito para a função. O ditador Ernesto Geisel era luterano, mas também não foi eleito pelo voto popular. A grande novidade seria um governante protestante que fosse evangélico neopentecostal e suas liturgias da prosperidade e da cura.

Fora o fato de um dos dois presidentes, Café Filho, ter tido, em comparação a seu antecessor e a alguns de seus sucessores, relevância zero para o cenário político brasileiro e de ter sido eleito como vice-presidente quase que na esteira de Getúlio Vargas, e não por ser presbiteriano, e de Geisel não ter papagaiado seu luteranismo por aí, adoraria saber qual é a relevância das "liturgias da prosperidade e da cura" para julgar se alguém será ou não um bom presidente. Estaria Sakamoto tratando todo pentecostal ou neopentecostal como um mero fanático religioso sem cérebro? Ou seria essa uma forma freudiana de projetar a falta de neurônios de Sakamoto em um grupo do qual ele, declaradamente, não gosta?


Café Filho para Sakamoto: "Eu não boto uma hora na lan para ler isso"
Gostaria também de saber qual é a relevância dos dois parágrafos a seguir para o caso:

O número de católicos cai (de 63%, em 2010, para 57%, hoje, segundo o Datafolha) e o de evangélicos não apenas cresce em número (de 24% para 28%), mas também em presença na política partidária. Marina Silva, membro da Assembleia de Deus, hoje está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial no ano que vem.


E, se por um lado, há parlamentares evangélicos que vociferam contra a dignidade humana, mas outros que atuam na defesa dos direitos das minorias, mesmo nos casos em que há conflito com sua religião. Da mesma forma que ocorre com muitos católicos.
Aliás, também adoraria saber como Sakamoto se formou em Jornalismo sem, pelo visto, passar por qualquer disciplina de Produção de Textos, pois o segundo parágrafo está deficiente quanto aos elementos de coesão, o que, neste caso, compromete também a coerência. Afinal, qual é a relação entre parlamentares evangélicos que "vociferam contra a dignidade humana" (o que quer que isso signifique na novilíngua sakamotiana), outros que defendem "os direitos das minorias" e a previsão do bispo?

Parece, então, que o mistério continuará, pois o blogueiro "pogrecista" muda completamente de assunto e mostra, de novo, mais indignação:

Além do mais, no fundo, isso não tem importado muito. Uma vez chegando ao poder, independentemente de sua crença, políticos atendem às demandas de grupos religiosos conservadores com vistas à chamada governabilidade ou visando às eleições.

Pena para ele, porém, que exista algo chamado "promessa de campanha", que os evangélicos e outros conservadores não esquecem, o que deveria acontecer também com todo o eleitorado brasileiro que votou em uma candidata que prometera, em carta aberta, não se movimentar politicamente em prol da legalização do Aborto, mas que o faz praticamente desde que assumiu a presidência.

Digo, aliás, que é muito bom, no atual panorama, que ainda exista alguém capaz, tanto em política quanto em retórica e argumentação, de questionar a inviolabilidade e a inquestionabilidade de certas causas dos progressistas. Sakamoto poderia, então, argumentar, como fez durante um bloco de sua entrevista ao Provocações, que estou tentando esconder meu viés conservador sobre as coisas. Lamentavelmente, de novo para ele, nunca escondi de ninguém, por exemplo, minha favorabilidade à legalização do Aborto, algo que qualquer conservador rejeitaria, com certa razão, peremptoriamente (Apesar disso, assumo, estou reconsiderando essa posição, e já reconsiderei minha posição sobre as religiões e sobre outras histórias que contei no artigo linkado acima).

O que não reconsidero, no entanto, é minha postura contrária à psicopatia de certos progressistas que têm tanta certeza da veracidade de seus dogmas que se acham no direito de julgar como errada toda e qualquer ideia conservadora e todos os que a eles se associem. Pelo visto, Sakamoto é um desses progressistas.

Mas, caros amigos, não pára por aí, pois Sakamoto trouxe, como exemplo do "rabo-preso" entre políticos eleitos e movimentos conservadores, o que chamou de "combate à homofobia por meio da educação", que, segundo ele:

avançou pouco na atual administração federal, menos por conta da pressão de deputados da bancada evangélica e mais por esse cálculo político.

De fato, adoraria saber quem são esses deputados evangélicos que, pelo visto, não pressionaram o governo por conta do absurdo kit-gay e da ideia estapafúrdia de que uma educação que sequer dá conta de ensinar leitura e cálculo aos aprendizes deveria perder tempo com valores que devem ser aprendidos no ambiente doméstico, pois já saberei em quem não votar nas próximas eleições. Afinal, de "políticos com o rabo preso" e "que posam de imparciais" já estamos cheios, ou, pelo menos, é o que o próprio Sakamoto deixa implícito em seu artigo.

Falando em seu artigo, aliás, eis mais uma informação desconectada do contexto da previsão do bispo:

A pesquisa Datafolha, deste domingo, mostra que os católicos podem ser menos conservadores que os evangélicos em alguns temas (como a adoção por casais do mesmo sexo), mas ainda assim, na resultante final, a nossa sociedade não se coloca de forma progressista com relação aos direitos individuais.

E uma pergunta que não quer calar: Exatamente por qual motivo nossa sociedade - ah, essas entidades sempre misteriosas e nunca bem delimitadas - deveria se posicionar "de forma progressista" ante os direitos individuais? Sakamoto deve se esquecer de que existe o outro lado, o conservador, da política, apesar de ele mentir dizendo que "não tem problemas com blogueiros conservadores".

Está cansativo, amigo leitor? Pois é, concordo, mas agora é que as coisas ficam interessantes, pois Sakamoto se lembra do que pretendia discutir e afirma que:

Particularmente, ficarei chocado no momento em que o Brasil eleger um presidente declaradamente ateu que não precise esconder isso de seu eleitor com medo que o seu caráter seja, estupidamente, julgado por conta disso.

Ao que parece, o embusteiro progressista parece se esquecer de que, até que se prove o contrário, não existe moral ateia e, portanto, os limites morais de um ateu dependerão única e exclusivamente de seu humor e de sua vontade, o que faz com que a preocupação acerca de seu caráter, apesar de na maioria dos casos exagerada, seja, sim, plausível. Mas, pelo visto, os conhecimentos de Sakamoto sobre Filosofia da Religião são rasteiros e guiados por um senso comunista de espiritualidade (ou seja, materialismo (!!!) dialético aplicado à religiosidade), pois, em seguida, fala que:

(Tenho certeza que FHC e Dilma são, no máximo, agnósticos não-praticantes. Mas tiveram que ajoelhar e dizer amém. E o agnóstico Getúlio Vargas, que tomou o poder através de um golpe, instituiu o ensino religioso nas escolas públicas, em 1931, em nome da governabilidade.)

Primeiro, como ateu agnóstico, gostaria sinceramente de saber como se pratica o Agnosticismo. Será que devo ficar papagaiando "não sei se Deus existe" por aí? Ou será, talvez, que "praticante" seja um rótulo que só se deva dar a quem tem a obrigação de seguir uma série de ritos e dogmas  para se aproximar da divindade?


Segundo, na época do agnóstico Getúlio Vargas, e ainda na nossa, e também em todas as épocas conhecidas, havia uma ligação muito forte entre senso de moralidade e religiosidade - o que não significa que todo ateu é imoral, apenas que não há moral que se sustente baseada em ateísmo-, o que fazia e faz com que muitos educadores, como os que elaboraram a LDB de 1996 (chupa, Sakamoto!), se movimentassem para tornar pelo menos facultativo o ensino religioso em escolas públicas. Oh, estariam então os educadores de 1996 pensando em "governabilidade"?



FHC, o "neoliberal de direita", não curtiu Agnosticismo e Ateísmo
Sakamoto, porém, prefere continuar com a ladainha progressista e parafraseia o que disse dois parágrafos antes:

O fato é que o Brasil aceitaria mais facilmente alguém que acredita em Deus mesmo com uma fé diferente da sua do que alguém que não acredita ou não tem certeza disso.


E o fato é também que o Brasil tem boas razões para isso, e elas se chamam Joseph Stalin e Mao Tsé-Tung. Para Sakamoto, no entanto:


No dia em que isso ocorrer, creio que atingiremos a maturidade como democracia. 


Isso porque, é óbvio, maturidade democrática tem tudo a ver com as pessoas descartarem completamente a moral que aprenderam e começarem a trocar o minimamente certo apreço dos evangélicos pelas causas cristãs pela muito duvidosa conduta de ateus (na verdade, provavelmente neo-ateus, mas finjamos que os eleitos não defecarão pela boca sobre as religiões) acerca de assuntos morais. É, de fato, não consigo entender tanta complexidade filosófica, também expressa quando diz que:


Não porque ateus são melhores, longe disso.


(Btw, Tio Stalin curtiu esse seu quase-deslize.)


Por fim, Sakamoto volta ao velho blá-blá-blá de militante progressista e diz que isso seria melhor

pelo fato de que teremos compreendido que, se o governante zelar pela dignidade e igualdade de direitos de todas as crenças, sua fé pessoal é tão importante quanto o time de futebol pelo qual torce.

Pena, porém, que democracia não se resume a igualdade de direito das crenças nem a progressismos baratos. Faz parte da democracia, também, a organização política e a conquista do eleitorado. Se um ateu apresentar propostas atraentes e não for um prosélito antirreligioso (que deve ser o que Sakamoto entende por ateu), não sei se nossa população realmente o tiraria do bolo. Aliás, qualquer palavra sobre isso é mera especulação e, até que se prove o contrário, reclamação vazia progressista.


Enfim, era isso, amigos leitores. Sei que o artigo ficou cansativo, mas isso se deu porque refutei parágrafo por parágrafo de um autor que, pelo visto, acha que retórica e prolixidade andam juntas. Digo sinceramente que, se tivesse escrito o texto sem o 2º, o 3º, o 4º, o 5º e o 6º parágrafos, teria sido bem mais convincente.


Aproveito, também, para convocar outros ateus, dentre eles o libertário Luciano Takaki, o conservador de direita Renan Felipe dos Santos, o liberal de centro-direita Rogério Jorge da Silva Figueiredo e o conservador de esquerda Luz nas Trevas, além de eu mesmo, para se candidatarem, no futuro, à presidência do país. Ou será que a religião de Sakamoto, o marxismo heterodoxo, não lhe permitiria votar em quem põe em dúvida aquilo que ela prega? Se não for o caso, agradeço pelo voto antecipadamente.

ADENDO: Em tempo: Há um novo artigo, sobre a Marcha das Vadias mais recente, no Implicante.

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7 comentários:

  1. Excelente post, Octávio e mandou bem contra o apedeuta do Sakamoto.

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    1. De que parte mais gostou, Willian Papp?

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  3. Bom artigo, não conhecia teu blog, vou passar a acompanhar agora

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    1. Faça-o, Éverton, pois não irá se arrepender. Pode, sim, se surpreender, mas não se arrepender.

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