23 de jul de 2013

Eu, Apolítico: Por que sou tão cético (e pessimista) quanto à "Revolução de 13"?

Olá, amigos leitores, e, sim, este é o título, talvez, mais transparente que eu já pus em algum post do blog, pois vou falar sobre o tema que já virou mania nacional: as manifestações - que vêm ocorrendo, se bem me lembro, desde Junho deste ano -, ou, como diria nosso ilustre pensador, filósofo, antropólogo, poeta e sociólogo (e vlogueiro nas horas vagas) Cauê Moura, a Revolução de 2013.

Cauê Moura no auge de sua Sociologia
Eis aí meu motivo principal para ser cético, mas não para ser pessimista, quanto a essas manifestações. Se formos examinar a história humana mais recente ou mesmo mais antiga, perceberemos que, apesar de nosso muitas vezes declarado pacifismo (o que, sendo franco, acho ridículo e até certo nível infantil, mas explico isso em outra ocasião), todas as nossas revoluções foram feitas com armas e sangue. Alguns poderiam me apresentar, como objeção, a Revolução Gloriosa, mas, além de esta ter sim algum sangue, não foi bem uma revolução, pois apenas confirmou o que toda a Europa da época já sabia, literalmente, há séculos, que era o fato de a Inglaterra ser uma Monarquia Constitucional, e não Absoluta.

Sendo assim, não, não estamos passando por qualquer tipo de revolução, ou, dizendo mais "cientificamente", as possibilidades de que esses protestos sejam uma revolução são quase nulas. Digo quase porque há aqueles que criam as mais diversas hipóteses sobre os desfechos possíveis para tudo isso. Eu, naturalmente, tenho as minhas duas hipóteses, sendo uma cética e a outra pessimista. Falo sobre a cética agora e sobre a pessimista no final do texto.

Como protótipo de cético, a primeira das minhas hipóteses é a de que estas manifestações darão em um grande pedaço de nada, pois, por mais que algumas mudanças sensíveis venham a acontecer, estas serão temporárias e/ou nulas perto dos problemas que temos. Digo isso embasado não só na tendência natural - pois sempre há um mínimo aumento de inflação que seja, lembremos - de haver, em algum momento, a elevação do preço das tão faladas passagens de ônibus e de outros itens necessários à vida humana urbana, mas também no fato de, há pouco mais de 20 anos, ter ocorrido um movimento muito semelhante chamado Fora Collor, em que milhares de brasileiros também saíram às ruas, mas, nesta ocasião, para pedir a saída do então presidente Fernando Collor de Mello da Presidência da República. Conversando com algumas pessoas próximas a mim e já adultas na época desse evento, pude saber que o clima do país na época era mais ou menos o mesmo de hoje: todos pensavam em "mudar o mundo", em "lutar por um mundo melhor", em "revolucionar o Brasil" e todas as outras histórias que tão bem conhecemos.

Também conhecemos, porém, os resultados desse evento, que são, justamente (fora o Impeachment de Collor), um grande pedaço de nada, pois o que era para ser, pelo menos em tese, o começo (e o símbolo maior) da mobilização política contra a corrupção nos bastidores do poder esfacelou-se e sumiu antes mesmo que os militantes do PT pudessem pronunciar "Lula Presidente!"- e olha que eles o fazem com muita rapidez, como todos, suponho, bem sabemos.

A isso, alguns poderiam responder que, por ser o fim da corrupção um objetivo muito abstrato e uma demanda inalcançável, o movimento, de fato, estava fadado a fracassar. Eis que surge, no entanto, a máxima contradição e outro motivo para meu ceticismo, mas não para meu pessimismo: ao se recusarem a luta "por apenas 20 centavos" - e concordo com o que disse o físico, respeitável vlogueiro e meu camarada Guilherme Tomishiyo em seu vídeo sobre o assunto, em que diz que, sim, vinte centavos são uma causa justa (discuto, sim, se as pessoas ponderaram sobre isso antes de pedir, mas, enfim, a causa não deixa de ter sua virtude) -, os manifestantes de hoje acabaram caindo no mesmo erro dos de 1992, que foi, justa e ironicamente, apelar para demandas muito abstratas. Afinal, adicionou-se à luta contra a corrupção a luta (supostamente) pró-saúde e pró-educação, luta esta que, além de abstrata, se resumiu ao que se pode chamar de ótica dinheirista, aquela em que se acha que abrindo a torneira do dinheiro as coisas hão de se resolver.

No mundo dos adultos, chamamos isso de comunismo enrustido, mas não vem ao caso. O que vem ao caso é que, já com esses motivos, justifica-se todo o meu ceticismo e também a minha primeira especulação sobre o destino dessas manifestações. Há, porém, de se explicar todo um título de um texto sem perder a compostura (fuck Guevara, o ídolo da garotada manifestonta). Vou, então, explicar o porquê de eu estar também pessimista quanto às manifestações.

O primeiro fator que me levou ao pessimismo - repito, quanto às manifestações apenas, não chego ao pessimismo sobre todas as coisas - foi a total falta de conhecimento sobre Filosofia, Política e outras áreas demonstrada pelos manifestantes. Fora o fato de pedirem coisas que, hoje, são inviáveis, como um Brasil sem partidos e SEM POLÍTICOS (Arizão, pode se revirar no túmulo, véi), os novos heróis do nada admirável mundo novo também demonstraram sua completa preguiça mental ao aderirem sem análise prévia ao discurso anti-PEC 37 e sua total "leiguice" ao pedirem para que a presidente tirasse senadores e deputados do poder, coisa que só poderia ser feita com uma intromissão do poder Executivo no Legislativo, o que quebraria a isonomia e a independência entre os três poderes e, consequentemente, uma das premissas básicas em que se apoia algo chamado ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

Arizão não curtiu suas reflexões políticas, cara
Cabe, então, a pergunta: Como falar em mudança quando não se conhece o sistema atual e quando não se procuram as causas que o levaram ao fracasso? Aliás, há outra pergunta melhor: É possível confiar em alguém sem o conhecimento e a humildade mínimas para não só exercer um papel político, mas também fazer uma reforma que seja, quanto mais uma revolução?

Fato é que, por mais que me tentem convencer do contrário, não consigo confiar em quem é entusiasta com mudanças em um sistema cujas entranhas sequer procura conhecer. Curiosamente, deve ter sido justamente isso que a maioria dos vloggers que conheço que fizeram discursos inflamados a favor desses protestos, dentre eles Pirula, Clarion e Ateu (Des)Informa, percebeu, pois - e eis o segundo fator que reforçou meu pessimismo -, de forma ou outra, passaram de inflamados a, no mínimo, cautelosos. Pirula arregou ao finalmente perceber, após voltar do Planeta Vermelho, que o protesto era anti-partidário e que a burrice política ali imperava. Clarion, por sua vez, quase superou sua raiva declarada aos militares quando (finalmente) percebeu que o protesto não tinha direção nem reivindicações concretas. Já Ateu (Des)Informa preferiu bater em cachorro morto e manter um mínimo de juízo em seu canal neo-ateu.

De todos esses vloggers, no entanto, Clarion é quem ganha um ponto positivo, pois, ao dar aquela tradicional arregada, levantou um ponto importante, que é o de se invocar "o povo" para dar legitimidade a uma causa, algo que até mesmo o cientista político André Singer caiu na besteira de fazer (e que eu, prontamente, questionei). E é esse, justamente, o meu maior motivo para o pessimismo. Apesar de toda a propaganda e todo o marketing político de que era "o povo" nas ruas, não consigo ver como, de um total de 190 milhões de pessoas, denominaram um conjunto de no máximo 5 milhões que foram às ruas de "o povo".

O que aconteceu, sim, foram manifestações promovidas por alguns setores do "povo", e é aqui que mora o perigo. Para os que, ao contrário de boa parte dos manifestantes, procuram estudar a sério e exercer o direito ao pensamento lógico, não é difícil lembrar que houve vários momentos na história do Brasil em que alguns setores do povo fizeram esse tipo de revolta. De um deles,  há quase 50 anos, e também do nojo absoluto de nosso povo a revolucionários, saiu o que hoje chamamos de Regime Militar, ou, para os mais íntimos, Ditadura Militar, e poderia ter saído algo bem pior, uma ditadura comunista. É só perceber que o brasileiro continua com rejeição a revoluções e com amor a sua vidinha comum, que certo Partidão tem sede de poder e que alguns conservadores adorariam, após 50 anos, uma nova intervenção dos militares, e tentar unir as peças de todas as maneiras possíveis para saber qual é minha hipótese pessimista.

Espero, porém, ou que eu esteja completamente errado, ou que o que aconteça seja o grande Nada, o que é mais provável, apesar de não ser muito melhor do que a outra opção.

Enfim, mando ao leitor meu forte abraço e meus mais recentes podcasts.

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