22 de mar de 2013

Espírito de Aniversário

Olá, caros leitores, como andam? E com as famílias, tudo beleza?

Bom, como eu havia falado no post Respostas, falaria sobre o segundo dos livros que li do Pondé (Contra um Mundo Melhor: Ensaios do Afeto), mas não detalhadamente, pois não havia me marcado tanto quanto o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.

Por isso, decidi falar sobre os ensaios do afeto como fiz com o Ética, de Spinoza, e outros livros e leituras em Espírito Natalino, ou seja, vou colocá-lo em um pacote de presentes a serem dados ao fiel leitor. Sim, amigo leitor, hoje, 22/03/2013, é meu aniversário, o que significa que farei uma pequena mudança na página Sobre o Autor.

Bom, aos trabalhos. Como da última vez indiquei três livros, vou, para manter o padrão, indicar o mesmo número, sendo um deles, logicamente, o Contra um Mundo Melhor, e outro novamente um livro de Nietzsche, autor com quem "fiz as pazes filosoficamente" após ler a obra em questão.

Porém, mesmo com essas pazes, meu filósofo predileto ainda é o parisiense Jean Paul Sartre (1905-1980), autor de O Existencialismo é um Humanismo, primeiro livro sobre o qual falarei. Basicamente, o francês é conhecido por duas coisas, sendo uma delas o seu "teatro de costumes" de alta qualidade (recomendo fortemente O Diabo e o Bom Deus e Entre Quatro Paredes)* e a outra justamente o ensaio supracitado, originado de uma palestra, ministrada em 1945, sobre os argumentos existencialistas. O livro se divide em duas partes: a palestra em si e as perguntas, ou, melhor dizendo, o debate entre Sartre e Pierre Naville, um marxista militonto anti-existencialista.

Apesar de os gêneros textuais empregados no livro serem mais dinâmicos que as tradicionais dissertações filosóficas de outras obras-chave de filósofos, isso não o torna menos denso, o que significa, trocando em miúdos, que não é uma leitura fácil. Ironicamente, das três leituras, a que eu considerei mais fácil foi justamente a obra Ecce Homo, um dos melhores livros do bigodudo alemão e buldogue do anti-marxismo, Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900). Sendo bem sucinto, esse é um livro em que, além de discutir novamente os conceitos que já tinha abordado mais detalhadamente em suas dissertações anteriores, Nietzsche ainda presenteia o leitor com um resumo dessas mesmas obras, sempre com seu estilo contundente e inconfundível.

Curiosamente, é justamente um adepto do Cristianismo, doutrina extremamente criticada pelo filósofo alemão, um dos melhores herdeiros desse estilo. Falo do inenarrável Luiz Felipe Pondé (1959-), que já apresentei ao leitor e cuja obra já citei anteriormente. Ao contrário do Guia de Filosofia, os Ensaios do Afeto, ao invés de terem só textos curtos, são um misto das tradicionais provocações pondeanas com suas menos frequentes, mas ainda mais relevantes, reflexões e digressões filosófico-existenciais. No primeiro tipo, enquadram-se textos como Caráter (Capítulo 13/32) e Dinheiro (Capítulo 23/32), em que o PUCano questiona, sempre com tom provocativo, aquelas velhas máximas que alguns usam para ressaltar seus irrepreensíveis caráteres e seu desapego ao dinheiro, fazendo, assim, o que Pondé chama de "marketing de comportamento".

Já no segundo tipo, temos Imperfeição (Capítulo 1), O Abismo (Capítulo 17) e A face do filósofo hebreu (Capítulo 31), em que Pondé dá verdadeiras aulas sobre seu paradigma cético-trágico de análise do mundo. Ainda assim, é em Jantares Inteligentes (Capítulo 14), um dos textos "mistos" do livro, que a ironia e acidez pondeanas vão ao ápice com uma análise simplesmente hilária da vida da "gente chiquinha de São Paulo", como diz o próprio Pondé.

Ou seja, do que perceberam, amigos leitores, não serei eu um bom resumidor desses livros e, portanto, cabe a vocês a descoberta de mais mistérios e indagações fascinantes de dentro deles. Assim, farei o que devo e prosseguirei as recomendações.

Ainda no plano da escrita politizada, quero recomendar textos de dois amigos blogueiros com novas propostas para reformular nosso jeito de pensar política, sendo uma delas do Pérsio Menezes (do peublogg) para mudar o modelo de debate eleitoral, e a outra, do Luciano Henrique Ayan (do blog Luciano Ayan), em que ele propõe o que chama de Neo-Iluminismo, no qual me focarei no próximo parágrafo (mas já aviso que os textos do Ayan são tão contundentes e objetivos que, ironicamente, eles próprios são suas melhores explicações).

Basicamente, o que o cético político propõe é que a sua corrente seja mais uma opção seja mais uma opção para aqueles que, como eu, apesar de serem anti-esquerda e/ou anti-liberalismo (nos costumes), não se identificam necessariamente com todos os valores conservadores, direitistas ou libertários e estão politicamente "órfãos". Sem dar mais detalhes, digo apenas que recomendo esse texto por ser uma das inspirações que tive para criar meu próprio paradigma político, sobre o qual discorrerei  no último post da série sobre Política, mas que utilizarei ao longo desta.

Entretanto, recomendar apenas uma de minhas inspirações não daria ao leitor pistas suficientes sobre o meu paradigma. Recomendo, então, os outros fatores que me inspiraram: Outro texto do Ayan, este sobre consumo crítico de notícias da mídia, um vídeo do Clarion de Laffalot chamado A Metáfora da Caixa de Bombom e um vídeo do nobre Guilherme Tomishiyo com ponderações sobre os conflitos político-ideológicos entre liberais e conservadores.

Finalmente, para aqueles que gostam de unir Literatura, Filosofia e Mitologia, tenho um conto do amigo Leonardo Levi, do Vida Sofista, chamado Sombras. Para não dar spoiler no enredo, digamos apenas que o conto tem, do início ao fim, a surpresa e o suspense bem tramados como padrão.

Enfim, eram essas minhas recomendações de hoje a vocês, caros leitores. Obviamente, incentivo-os fortemente a lerem e verem outras coisas das pessoas aqui citadas, pois é assim que se constrói pensamentos e se entende a importância do debate e do pluralismo democrático.

Bom, espero que tenham gostado dos presentes (e vou colocar a lista de capítulos do livro do Pondé para aguçar a curiosidade de vocês) e que continuem me dando a sua atenção. Obrigado pela atenção já dada, um forte abraço para todos vocês e até breve.

Links:

Texto do Ayan sobre o Neo-Iluminismo: http://lucianoayan.com/2013/03/14/como-pensar-fora-da-caixa-esquerdista-a-partir-do-neo-iluminismo/ 

Texto do Pérsio Menezes para reformular a nossa democracia: http://peublogg.blogspot.com.br/2013/03/por-um-novo-modelo-de-representacao.html

Texto do Ayan sobre Consumo Crítico de Notícias da Mídia: http://lucianoayan.com/2013/01/30/dicas-para-se-tornar-um-consumidor-critico-de-noticias-e-conteudo-de-midia/

Vídeo do Clarion: http://www.youtube.com/watch?v=UoZ_X8a47Oc 
Vídeo do Guilherme Tomishiyo: http://www.youtube.com/watch?v=MdGQru1LTRQ

Sombras, por Leonardo Levi:

http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-1.html
http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-2.html
http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-3.html
http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-4.html
http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-5.html
http://vidasofista.blogspot.com.br/2013/01/sombras-parte-6.html

* Sobre os livros que citei, devo dizer que é extremamente difícil achar O Diabo e o Bom Deus, mas a leitura vale totalmente o esforço.

Índice de Contra um Mundo Melhor:

Introdução - A forma pura da pedra 11
1. Imperfeição 15
2. A ruína 25
3. Medos masculinos e mulheres obsoletas 28
4. Passado 41
5. Baratas 45
6. A janela 49
7. O gosto da culpa 61
8. Hamlet 67
9. A caça 71
10. Promiscuidade 77
11. Pureza 81
12. Nudez 85
13. Caráter 89
14. Jantares Inteligentes 93
15. Ela 101
16. Nuance 105
17. O abismo 109
18. O rei Davi 127
19. Destino 131
20. Uma pequena moral 135
21. Agonia 139
22. Cotidiano 145
23. Dinheiro 149
24. Babel 155
25. Afrodite 165
26. A palavra mortal 171
27. Wasteland 175
28. Sobrevivente 181
29. Liberdade 185
30. Inferno 191
31. A face do filósofo hebreu 195
32. No Sinai 211 

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