21 de dez de 2012

De frente com o Ateu - Ateísmo (x Teísmo x Antiteísmo)

Boa tarde, meus queridos leitores. Aproveitando bem o fim do mundo?

Como o mundo vai acabar mesmo, decidi finalizar a minha participação neste mundo com pelo menos o começo daquela série sobre a qual falei em Contestação e Merchandising. Se, como disse uma vez o picareta do Cauê Moura (sim, aquele vlogger lá que fez uma "homenagem" ao Latino), existir wireless no inferno, ou se o mundo não acabar, eu continuo postando aí para vocês.

Enfim, como dito no post que eu citei acima, vou começar com o primeiro tema, que é ATEÍSMO. Antes de tudo, é bom dizer que eu vou dividir esse post basicamente em dois segmentos, mostrando, no primeiro, o que eu defino como ateísmo, e, no segundo, o que eu não considero que o ateísmo seja ou deva ser. Esse segundo ponto será mais esclarecido só no segundo segmento mesmo.

Antes de tudo, como já avisei no outro post, não vou contar como virei ateu, pois isso não convém para esta ocasião. Também não vou abordar o neo-ateísmo, pois, além de haver muitos outros que podem abordá-lo melhor do que eu, digamos que eu fui neo-ateu por um tempo e que o que me tornou neo-ateu foi um fato sobre o qual não gosto muito de falar e que, se eu falasse sobre, provavelmente me abalaria a ponto de não conseguir continuar escrevendo esse texto. Posto isso, podemos começar a nossa conversa sobre o tema.

Bom, "aos trabalhos" (BIAL, Pedro; s.d.). Primeiro de tudo, o que eu considero como ateísmo?

É sempre bom deixar claro que, se os leitores decidirem fazer uma pesquisa mais extensa (como sempre, vou deixar uns links aqui para ajudá-los na pesquisa),  é possível que vejam que houve e que há várias definições para ateísmo ao longo dos tempos. A causa disso não é, porém, o próprio ateísmo, mas sim as definições que são aplicadas para teísmo (sobre as quais, infelizmente, nada achei), pois é a partir delas que se rotulava alguém como teísta ou como não-teísta, ou melhor, como ateu. Portanto, a primeira definição que eu faço aqui é a de teísmo. Teísmo, neste post, será usado apenas como a crença em algum tipo de divindade, seja ela um criador pessoal , um criador impessoal ou o que for.

Partindo disso, é comum que haja duas definições para ateísmo. Uma delas, a de ateísmo forte ou positivo, diz que ser ateu é crer na inexistência de deuses. Já a outra, a de ateísmo fraco ou negativo, diz que ser ateu é descrer na existência de deuses. A diferença básica entre as duas posições é simples: uma é uma crença, outra é uma descrença. No meu caso, eu adoto o ateísmo negativo principalmente por dois motivos: 1- Porque eu acho uma certa hipocrisia  deixar de crer que uma coisa existe para passar a crer que ela não existe; 2- Porque eu não considero o ateu positivo como ateu.

Ora essa, mas se eu não o considero como ateu, poderia perguntar o leitor, então como o que o considero? Respondendo a isso, eu tendo a considerar o ateu positivo ou como um crente enrustido (ou revoltado com "Deus"), ou como um partidário do terceiro conceito que eu vim discutir aqui, ou seja, como um antiteísta. Falando a grosso modo, antiteísmo é a oposição à crença em deuses ou em determinados deuses (ou seja, não é preciso ser ateu para ser antiteísta), o que, sejamos francos, é o que a maioria dos ateus positivos faz: baseados nas falhas de algumas pessoas dentro de certas religiões, eles passam mais a se preocupar com a crença alheia, ou melhor, com destruir a crença alheia, do que com o próprio umbigo. Porém, como eu disse, isso é mais uma opinião pessoal minha, ou seja, isso não significa que eu seja o dono da verdade absoluta sobre o ateísmo e que o que estou dizendo está corretíssimo. É mais uma questão do sentido e da interpretação que se dá a certos termos mesmo.

Há também quem faça a distinção entre "ateu" e "ateísta", mas em alguns casos o sentido atribuído a "ateísta" é tão parecido com (ou até igual a) o sentido de "antiteísta" que eu prefiro fazer a distinção entre "ateu" e "antiteísta". Ou seja, se em alguma parte desse post eu falar em "ateístas", vocês podem entender como sinônimo de "ateu" para facilitar as nossas vidas. Ainda assim, vou deixar um link com essa distinção, uma cortesia do meu amigo Emerson Oliveira, da Logos Apologética, para quem quiser usá-la. Existe também a diferença entre "ateu gnóstico" e "ateu agnóstico", mas só vou abordar isso no próximo post desta série.

Enfim, por que eu disse tudo isso? Porque é a partir das definições que eu uso que eu vou dizer o que eu acho que o ateísmo não é ou o que o ateísmo não deve ser.

Primeiro, mas isso eu acho que independe da definição de ateísmo que se usa, ateísmo não é ciência. Não vou aqui discutir sobre o atual conceito de ciência (vou deixar um link também com isso), pois seria um tema totalmente diferente do que o que eu pretendo abordar, mas, posso dizer, com segurança, que ateísmo não é ciência, por pelo menos três motivos:

1- Uma ciência necessariamente precisa ter um método de pesquisa, coisa que não é necessária na descrença em um deus, exatamente porque eu posso descrer em deuses por falta de fé ou por qualquer outro motivo que me dê na telha.
2- O objeto de estudo de uma ciência deve ser falseável e, para isso, deve necessariamente pertencer à nossa realidade, ou seja, à realidade material. O detalhe é que a maioria das divindades não pertence ao plano material, mas sim a um outro plano que nos é intangível. É lógico que podem existir provas da existência de deuses baseadas puramente na lógica, só que, pelo menos nas nossas definições, lógica não consta como ciência.
3- O objetivo de uma ciência é gerar novos conhecimentos sobre um determinado assunto. Além de dificilmente se poder gerar novos conhecimentos, por meio da ciência, sobre um objeto não-falseável cientificamente falando, um ateu pode simplesmente escolher não devotar sua vida à busca por conhecimento, além de o ateísmo ser simplesmente uma descrença, ou seja, de não haver dogmas para ser ateu.

Segundo, e isso o 3º motivo para não ser ciência explica um pouco, ateísmo não é religião, e isso se dá especialmente por duas razões:

1- Não existe dogma para ser ateu, pelo mesmo motivo que não existe método para ser ateu. Não há como falar para uma pessoa que, para ela ser ateísta/ ateia, ela tenha que fazê-lo porque não existem provas para a existência de deuses (o que é um pouco mentiroso, mas não vou discutir isso) ou porque ela não tem fé. Não há como regrar a descrença, exatamente por ela não ser uma crença (rsrsrsrsrs). Além disso, como eu já disse, o ateu pode tomar as atitudes que ele achar mais conveniente. Falarei mais sobre esse ponto no post sobre religião e caráter, mas, o que podemos entender disso é exatamente que ateísmo pode ser considerado como uma forma de liberdade. Agora, se essa liberdade é ou não benéfica, é uma outra discussão.

2- Tomando religião como religação ao divino, não há sentido em declarar ateísmo como religião, pois o ateu, antes de tudo, não crê na existência de um ser divino. Se tomarmos religião como releitura de dogmas religiosos (sim, existe uma vertente de etimólogos que interpreta que a origem de religião não veio de "religare", mas sim de "relegere", que significaria "releitura". Coloco o link para isso no fim do post.), também não faz sentido definir ateísmo como religião, pois cada ateu tem uma postura ante às religiões. Ou seja, isso mostra também que é muito difícil fazer generalizações sobre ateus baseados naqueles (poucos) ateus que conhecemos.

Terceiro, ateísmo não é satanismo, e isso se dá porque satanismo é a RELIGIÃO dos que seguem Lúcifer, que é, mesmo que de uma forma pouco convencional, uma DIVINDADE. Como um ateu não crê em divindades, segue-se disso, por lógica, que, se um tonto vier se declarar "ateu satanista", além de você, crente, poder dar uns bons tapas na cara dele (apesar de isso ser considerado intolerância religiosa), você também pode chamá-lo de burro ou de incoerente, pois ele estará crendo e não crendo em uma divindade ao mesmo tempo, o que foge da nossa compreensão lógica.

Quarto, e o mais importante, ateísmo não é nem deve ser ideologia. Antes de tudo, é bom saber que existe uma definição neutra para ideologia e outra crítica, e a primeira definição diz que ideologia é, trocando em miúdos, o conjunto de ideias que uma pessoa ou um grupo segue. Porém, não existe esse conjunto de ideias em ateísmo pelos motivos que eu já citei, o que o torna incompatível com essa. Se pegarmos a outra definição, a crítica, que diz que a ideologia é algo que serve para alienar as pessoas e todo aquele blá-blá-blá marxista xarope de que todos já ouvimos falar uma vez na vida, e tomarmos o ateísmo como uma ideologia por esta definição, seria o mesmo que chamar todo ateu de burro, pois, considerando que quase todos os ateus acabaram virando ateus, ou seja, não são "de berço ateu", eles teriam trocado uma crença fundamentada em algo maior e transcendente por uma crença que não tem uma justificativa tão forte, ou seja, pela qual se lutaria apenas por "objetivos menores", se é que me entendem. Então, como eu não creio que ser ateu seja uma burrice, não acredito que ateísmo possa ser considerado uma ideologia.

Isso era tudo que eu queria dizer quanto ao que eu não considero ser ateísmo. Vou agora deixar o que eu considero que o ateísmo é, mas os leitores talvez só entendam minha posição no meu post sobre Religião e Caráter, que é quando vou explicar isso. Porém, acho que a frase em si já é uma pista para entender o meu posicionamento no futuro post (que ainda vai demorar um pouquinho, rsrsrsrsrsrs). Enfim, para mim, se me fosse possível atribuir uma característica ao ateísmo, eu diria que ateísmo, meus amigos, é uma incógnita.



Bom, encerro por aqui este post, vou deixar os links aqui em baixo, e espero os seus comentários, criticando ou elogiando este primeiro post. Lembrem-se, porém, que nunca foi minha intenção fazer propaganda ateísta por aqui, especialmente porque essa minha fase já passou. Enfim, ficam os meus agradecimentos pela paciência que tiveram em ler todo esse post e o meu forte abraço a todos os leitores.



Links:


Texto do Francisco Razzo sobre algumas formas de ateísmo:
http://www.franciscorazzo.com/2012/08/17/os-ismos-do-ateismo/

Vídeo do Pirulla sobre Neo-ateísmo, Ateísmo e Antiteísmo: http://www.youtube.com/watch?v=xcmNSgHuPRc 

Outro vídeo do Pirulla, dessa vez sobre Ateísmo e Agnosticismo: http://www.youtube.com/watch?v=LVkklTe77Ww

Vídeo do Yuri Grecco (Eu,Ateu) ironizando a acusação "ateu adora o demônio": http://www.youtube.com/watch?v=47vOpSkC21A  (lembrando sempre que o vídeo é IRÔNICO, e que talvez seja um dos únicos vídeos que preste do canal do Grecco, rs)

Origens possíveis do termo "religião", por Lauro Jardim: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/religiao-vem-de-reler-ou-religar/

Texto EXCELENTE da página Logos Apologética sobre antiteísmo: http://logosapologetica.com/o-perfil-de-um-antiteista/
  
Sílvio Seno Chibeni, pesquisador da UNICAMP, sobre definições de ciência ao longo da história: http://www.unicamp.br/~chibeni/textosdidaticos/ciencia.pdf

Outro texto EXCELENTE, dessa vez do meu amigo, o inenarrável Chico Sofista, sobre Ideologia(s): http://vidasofista.blogspot.com.br/2012/08/ideologia.html


PS: Pfvr, gente, sério, se tiverem um novo nome para a série, falem, rsrsrsrsrsrs.

2 comentários:

  1. Pela cassação de Marco Feliciano. Tirá-lo da CDh não basta. temos de mostrar que não queremos este tipo de parlamentar.

    http://www.avaaz.org/po/petition/Cassacao_por_quebra_de_decoro_contra_Marco_Feliciano/

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