21 de jun de 2012

Umas memórias

Bom, pessoal, eu diria que esta postagem não foi tanto guiada por um tema específico, e sim por uma visão de mundo muito pessoal. É um poema cujo conteúdo verão a seguir. Enfim, boa leitura:

Memórias Ateísticas do Cárcere

Na natureza nada se perde, 
Lavoisier dizia.
Mas em um cárcere sacrodemoníaco,
perde-se um pouco de racionalidade por dia.

Bandeira já bradava,
"vou-me embora pra Pasárgada!"
Queria também ir,
mas me prendeu a hipocrisia
de só ter o prazer
que o religioso queria sentir.

Já o parnasianista,
que soube bem o que é poesia
e que preciosas rimas fazia,
não experimentou o que é ser flagelado
por causa de uma fé doentia.

Laicismo brasileiro ainda não é,
mas um dia será
como é este blogueiro
Só que, infelizmente, até agora
só há péssimas memórias
do cárcere deste ateu brasileiro.

2 comentários:

  1. perde-se um pouco de racionalidade e ganha-se muito em sentimento... o espelho do eu é um espelho do conjunto de pessoas que se identificam com aquele q escreve... e descobrindo-me, mesmo não ateu (haverei de me agarrar em algo que não seja eu, talvez pq não me aprouve o egocentrismo exacerbado mesmo que não me identifique com religião alguma, por causa da fé doentia) e não me vejo menos solto pelas ruas... eis que o cárcere de cada um é o de ser humano e viver em uma sociedade que nega o direito de ser humano livre a alguns e a muitos... belo poema guri. um abraço apertado *-*

    ResponderExcluir
  2. Concordo muito, Éderson. De fato, mesmo para quem crê em algo, a questão da identidade do eu ainda é problema. Enfim, vlw pelo elogio e pelo feedback

    ResponderExcluir