1 de abr de 2012

Ética a Aristóteles

Bom, pessoal, tendo em vista o nosso atual panorama, resolvi mandar uma carta àquele que seria a causa primeira do panorama: Aristóteles. Enfim, boa leitura.


São José do Rio Preto, 01 de Abril de 2012

Prezado misógino digno de asco,

Venho por meio desta humilde carta agradecer-te pelo país em que vivo. Ó, sociedade brasileira, que teve um nível de evolução educacional o qual só se equipara ao próprio avanço cultural e religioso.
Graças a ti, Aristóteles, meus concidadãos vivem em paz. Sério. Afinal, o pensamento religioso dominante é o cristão, que surgira, pelo menos cronologicamente, 322 anos após o teu óbito. E essa doutrina baseou-se muito em teus valores, sabes? Um deles é representado por aquela tua máxima que afirma que um homem nunca deve enunciar as próprias virtudes. Pois é, “Homo ignoratius”, é de tua inteira responsabilidade a bancarrota política e espiritual vivenciada por esta nação que se recusa a lutar por glória (ou mesmo pelos próprios direitos) nem tolera a “arrogância” daqueles que enunciam as virtudes que têm.
Também devo homenagear-te pela grande igualdade entre os sexos mundo afora. Pois é, misógino, a tua filosofia machista nojenta também fora amplamente disseminada. E essa, meu caro, ainda perdura em países muçulmanos e até mesmo em minha pátria. As mulheres, além de receberem salários demasiado menores se comparados aos dos homens, sendo muitas vezes também obrigadas a um regime de isolamento dentro do lar (por influência de tua ideologia), são constantemente agredidas de modo físico, psicológico e até mesmo moral.
Deves pensar, ó precursor dos contratualistas religiosos das salas de jantar, que apenas te criticarei por teus pensamentos odiosos e nefastos. Na verdade, não. Assim como fizeste tua “Ética a Nicômaco”, envio-te por meio desta carta a correção da tua ética, baseando-me inteiramente no novo panorama sociopolítico do planeta e em nossa necessidade de libertação das tuas amarras em prol da evolução conjunta da espécie humana.
Não se faz necessária, velha guarda da Filosofia, a proibição da enunciação das virtudes de um homem por si mesmo. No entanto, tal indivíduo deve assegurar méritos ou títulos suficientes para assegurar a veracidade das virtudes enunciadas, senão terá meramente o direito de se sentir humilhado perante a sociedade e os outros cidadãos.
Outra coisa, discípulo inculto de Platão: A mulher não é um ser inferior, meu caro. Tu “provaste” essa falácia baseado em uma linha tênue de argumentação. Porém, a medida para acabar com essa mentalidade está em execução. As mulheres de hoje, Aristóteles, mostram-se mais inteligentes e mais bem adaptadas ao meio do que todo o sexo masculino, exercendo as mais diversas e importantes funções sociais.
Ademais, como podias tu, um dos homens mais famosos pela ostentação exagerada das próprias virtudes intelectuais, pregar sofismas tão torpes?
Enfim, eu falaria sobre teu viés em relação a outras raças ou à escravidão. Contudo, já me cansa redigir esta epístola. Sei que não devo esperar tua resposta. Entretanto, tenho certeza da existência de milhões de defensores, conscientes ou não, da tua doutrina. Espero a resposta deles.

Octávio Henrique (Octavius), um blogueiro resoluto
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Gente, quando eu escrevi isto, estava muuuuito doente. Sabe o que me pegou? A 1º de Abril zisse
Ou seja, PEGADINHA DO MALANDRO, HAH!

9 comentários:

  1. Cada filósofo de acordo com seu tempo. O pior erro de um julgamento histórico, seja de algum personagem ou ato da História, é tomar como referência as conquistas e os pensamentos atuais e não os da época.

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  2. Depende... se o pensamento dele CONTINUA sendo posto em prática, há algo de errado no reino da Dinamarca.

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    1. O pensamento de um filósofo nunca está totalmente errado, ele também é produto do seu tempo, as ideias são reformuladas, enfim, a sua raiva parece que não deixa você perceber os méritos de Aristóteles. Você pelo visto não é aristotélico, estes pelos menos revisam Aristóteles e não apenas criticam com ironias e certa arrogância, como você fez. E é isso...

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    2. Jadiel, atente para a DATA do post. E, sou aristotélico sim. É que nessa carta falsa, eu reduzi sua filosofia a isso. Mas, especialmente na filosofia política, o tenho como um grande paradigma.

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    3. Perdi preciosos minutos da minha vida lendo e comentando essa tranqueira!

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    4. Desta vez, o culpado foi o receptor da mensagem. Afinal, já no cabeçalho da carta eu deixei uma pista.
      Mas o pior, Jadiel, é que tem gente que PENSA ASSIM sobre o Aristóteles. Eu mesmo pensava assim antes de estudá-lo mais a fundo.

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  3. Mas, então... como um ARISTOTÉLICO critica o pensamento do próprio Aristóteles?

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    1. Resoluto só se for na putaria

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    2. Um anônimo que vem e comenta uma merda dessas não tem a menor moral para falar sobre resolução ou putaria alheias...

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