1 de dez de 2011

2011 e a Mídia: Depois da tempestade... Pt 1

Prezados leitores de "O Homem e a Crítica", creio dever-lhes uma explicação sobre o título deste post. Planejei fazer um retrospecto o qual englobasse todos- ou pelo menos os mais importantes- fatos ocorridos em âmbito nacional, internacional e até mesmo local. Entretanto, por falta de tempo e de planejamento, a intenção não se consumou.Ainda assim, após ter este blog tantas visualizações e tantos comentários de apreciadores e amigos, acredito ter o dever de e a total capacidade para postar uma retrospectiva digna de vós. Então, decidi dividir este longo texto em 2 partes (1/12/2011 e 11/12/2011) e fazer um outro um pouco mais intimista.
O tema deste longo retrospecto pode ser surpreendente para alguns. Falarei sobre a mídia, ou meios midiáticos, como quiserem, e sua atividade neste ano.
Eu reitero que o leitor mais desavisado pode perguntar: "Ora, falar sobre a Mídia? Explique-se, Octávio!'. Não só respondo como esclareço. É ponto pacífico que a mídia teve uma importante função no ano de 2010, sendo que esta se "resumia" a cobrir dois eventos importantíssimos para o Brasil (No caso, a Copa do Mundo e as Eleições Presidenciais). Para a maioria, também é ponto pacífico a competência dos meios midiáticos em tal cobertura. Porém, após tão intensa tempestade de informações e notícias, naturalmente viria uma calmaria no ano seguinte. Tendo tudo isso em mente, decidi analisar o trabalho da imprensa neste ano de "bonança".
Esta primeira parte abordará apenas os aspectos positivos da imprensa em 2011. Mesmo contra a vontade e expectativa de alguns censores tacanhos, a maior parte deste órhão imprescindível para qualquer democracia consolidada acabou por, em variadas ocasiões, cobrir de modo impecável vários dos acontecimentos deste ano. Abaixo vão algumas provas para a minha tese:
Corrupção nos Ministérios
Cito este como meu primeiro argumento. Após a eleição de Dilma Vana Rousseff, formou-se um novo time de ministros, além do advento de novos ministérios. Algumas mídias, como a revista VEJA, estiveram atentas a cada passo dos ministros, e não decepcionaram. De Antônio Palocci (Casa Civil) a Orlando Silva (Esportes), as redes televisivas e outros denunciaram e comprovaram cabalmente o nível de corrupção instalado nas entranhas ministeriais por anos a fio
Abordagem Crítica de Tragédias
Todavia, concordarei com os mais céticos os quais rotulam o falar crítico sobre corrupção como tarefa relativamente fácil se comparada a outras, como a abordagem crítica de todo tipo de tragédia.
Opa... Mas a imprensa tupiniquim também fez tal abordagem. Dos acidentes com reatores nucleares em Fukushima- JP aos deslizamentos de terra no Rio de Janeiro. do norueguês fundamentalista o qual cometeu atentados na capital norueguesa ao problemático e emblemático assassino responsável pelo Massacre de Realengo, fez-se um intenso trabalho de busca por informações coerentes e de redação de artigos críticos os quais ajudaram a trazer luz a tais assuntos.
Campanhas contra o Preconceito
"O preconceito é o filho do medo, o medo do diferente". Lya Luft, uma das maiores escritoras do Brasil contemporâneo, definiu com uma só frase qualquer preconceito existente. Ela, porém, só deu a definição. Coube às mídias combater tal "medo".
Desde as declarações polêmicas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro durante entrevista para o quadro O Povo quer Saber, do programa Custe o que Custar, a imprensa vem dando um competentíssimo enfoque à questão da homoafetividade. Como resultado desse enfoque as conquistas civis dos homossexuais, como o direito de união estável legal e a adoção de filhos, vieram a ocorrer de modo mais rápido do que aconteceriam sem a ajuda midiática.
Movimento #VergonhaRioPreto
No mês de Agosto, após a apresentação de três controversos projetos na Câmara de Vereados de São José do Rio Preto (sendo eles o aumento no número de vereadores, a elevação do salário dos mesmos e do prefeito e a contratação de funcionários "apadrinhados"), a imprensa regional posicionou-se como defensora da população e deu voz ao movimento Vergonha Rio Preto.
O resultado foi favorável ao povo. Mesmo com a aprovação da contratação de apadrinhados, os outros dois projetos foram vetados e subsequentemente arquivados. Mais uma vitória para a democracia, para o povo e para a justiça.


Encerro por aqui esta primeira parte. Dia 11: Parte 2 




3 comentários:

  1. Finíssimo o texto! Flui bem, é conciso, coeso, coerente... Muito bom Octávio! No complaints! Aliás, você tocou, no texto, um assunto muito interessante: a abordagem das tragédias pela mídia... Por que será que acompanham tão rigorosamente cada detalhe das tragédias que acontecem por aí? Interessante de se pensar... Será só pela audiência ou teria algum outro fim escondido aí? Ah, antes que me esqueça, a título de curiosidade, você participa do VergonhaRioPreto? Bom, depois falamos melhor sobre o texto e lhe dou os merecidos elogios! Cya.

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  2. Ah, já ia me esquecendo, boa sorte, mesmo que você não esteja precisando rsrs, com o resultado da UNESP hoje!

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  3. Bom, obrigado pelo elogio, Joshua.
    Enfim, creio que você está correto nessa análise. Lógico que não me foquei no fator audiência. Falei apenas das virtudes da mídia neste ano. Obviamente, é sempre bom também questionar os porquês.
    Não, não participo/participei do VergonhaRioPreto. Só achei que merecia pelo menos uma menção honrosa, ao se considerar que prometi falar sobre mídia regional.
    Obrigado pelo desejo de boa sorte.

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