1 de nov de 2011

Norma Culta Maravilha, nós gostamos de você...

Prezados leitores, neste post falo sobre Nossa Língua Portuguesa. O título entrega meu posicionamento sobre o tema. Caso queiram saber de onde veio a inspiração, acessem: http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/norma-culta-x-variantes-linguisticas-qual-deve-ser-a-posicao-da-escola.jhtm
Aqui vai o texto:
Dos filhos desta língua, és mãe gentil

Há alguns meses, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) da nação brasileira divulgou publicamente a nova cartilha de ensino de língua portuguesa para as escolas públicas em todo o território nacional. O livro “Por uma vida melhor”, da escritora Heloísa Ramos, adotado pelo MEC como referencial de ensino para as instituições apresentava, além da norma culta padrão do idioma, excertos com uso de linguagem coloquial e uma defesa do uso desta forma de comunicação, alegando que a norma culta faz-se um instrumento de dominância para as elites e que correções a quem fala tal norma inadequadamente constituem-se em “preconceito lingüístico”.
Caso tal livro seja realmente levado a sério, pode-se afirmar concisamente que ocorrerá uma censura ao verdadeiro ensino como um todo. Torna-se contraditório disseminar tais falácias pelas instituições de educação, as quais devem ter posicionamento avesso a toda e qualquer forma de aculturação para com seus estudantes.
Claramente, as variantes lingüísticas devem ser aceitas. Porém, afirmar que a norma culta padrão do idioma apresenta-se como um instrumento de dominação usado pelas camadas mais altas e por isso não disseminá-la às classes menos privilegiadas constitui-se uma hipocrisia burra ( ao se considerar que, quanto maior ascensão social há em um país, melhor torna-se sua imagem mundial e mais esse país pode lucrar com trabalhadores mais especializados) e até mesmo inconstitucional (por ferir o direito à educação de qualidade).
Em síntese, as escolas devem respeitar igualmente todas as variantes da língua. Porém, não há necessidade de ensinar tais coloquialidades, já que brasileiras e brasileiros usam as mesmas na maioria das situações. E salve a Língua Portuguesa, de cujos filhos é mãe gentil!

10 comentários:

  1. Concordo com você,não precisamos de escola pra aprender uma forma da língua que aprendemos nas ruas,em casa,com os amigos,e como o Zé disse,se saber melhor a forma culta da língua fosse apenas das maiores classes sociais,os professores de Português estariam no topo.
    Muito bom seu texto!!!
    By:Marcelo Colnaghi

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  2. Concordo em gênero, número e grau! Acho que até a educação adotou uma posição elitista deixando de ensinar a norma culta para ensinar as coloquialidades! Isso é um absurdo e mais absurdo ainda é o tal do "preconceito linguístico"! Não se pode mais corrigir uma pessoa que fala errado por respeito as suas variedades linguísticas? Então acabemos com a gramática em si, já que ela não é mais necessária.

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  3. Ah, não, vamos acabar com algo mais inútil ainda... como: MATEMÁTICA!!
    /sarcasmo
    Mas do jeito que anda, o MEC vai falar em "preconceito matemático" daqui a alguns anos. Poderemos falar, então, que 2+2=3, e quem nos corrigir estará cometendo tal preconceito

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  4. Prezado, antes de comentar o texto, gostaria de pedir que faça uma leitura mais atenta do teu objeto de reflexão... Você, por acaso, chegou a ler o livro em questão? Em "ler o livro" me refiro à totalidade do mesmo e não a fragmentos citados na Veja e em outras revistas. Em momento algum, o livro alega ser obrigação da escola ensinar a falar variantes linguísticas... Por acaso você precisou de aulas para aprender a falar "cê" ao invés de "você"? O convívio com falantes já basta para aprendermos a falar variantes da língua... O que o livro didático diz é que não se deve ter um comportamento hostil para com a variante que o aluno carrega... Gostaria de perguntar se você usa com seus colegas no dia a dia a mesma variante que usa quando redige uma redação para um vestibular. É claro que as escolas DEVEM ensinar a norma padrão. Corrigir um erro não é cometer preconceito linguístico. Preconceito linguístico é você ouvir "|Nóis foi lá|" no ônibus e começar a repudiar a pessoa produtora do discurso citado. Cuidado, meu caro; para efeito de melhorias na sua escrita, já muito boa por sinal, procure adotar como método básico, a prática de procurar conhecer em sua totalidade o objeto de seu estudo. Não se arrisque a escrever sobre algo tendo pré-conceitos. Busque, pesquise, leia, informe-se, para não correr o risco de ter seu texto, que provavelmente custou-lhe tempo, anulado por um argumento desconhecido por você.
    Estou lendo seu blog pela primeira vez e admito estar gostando, parabéns.

    Obs1.: sou estudante de Letras, tive contato com o assunto, fui quase que obrigado pelo curso a me envolver nesses assuntos. Não estou "inventando" informação.

    Obs2.: http://diariodalingua.blogspot.com/2011/05/caso-mec-sirio-possenti-comenta.html sugiro a leitura atenta para entender melhor o que vem a ser, de fato, um linguísta e o que ele faz. o texto é um pouco grande, mas vale cada vírgula.

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  5. Na verdade, tive uma discussão com um amigo recentemente, e nela acabei por ler a parte do livro em que se encontrava a defesa. Mas a minha reclamação não está no fato de que se defenda ou não a norma coloquial. Primeiro, não sou estudante de LETRAS ainda (pretendo ser, todavia), mas creio que não se deve incluir sociolinguística em um livro para o ensino da Gramática. O fato de falar sobre variantes linguísticas provém muito mais do bom senso do professor, o qual deve ter preparo pedagógico para não cometer o erro de Heloísa Ramos. Aliás, o erro não: a ironia. O curioso é que se eu corrigir ou "repudiar"- faria aquilo, mas não isto- alguém por inadequar-se à norma culta, sou chamado de preconceituoso. Agora, se o caso é o inverso, se alguém me rotula como arrogante ou prepotente por usar a norma culta, ninguém fala nada. A questão é que preconceito tem dois lados. Dona Heloísa esqueceu-se de citar o segundo.

    Um outro fator o qual merece meu comentário é o fato de que o fim primordial e central deste blog não foi a exposição de minhas ideias, e sim o debate. Prova está na descrição que se encontra exatamente abaixo do título deste blog.
    Se alguém concordar comigo, bom. Se não concordarem, melhor. E se fizerem como você fez e escreverem as refutações, está perfeito.
    Realmente, não conheci a totalidade do assunto. Admito meu erro, mas sei que o debate está aí para isso. Quer meio mais democrático e "intelectualizante" para o conhecimento?

    Já tinha lido também o texto de Possenti, e o achei muito esclarecedor.
    Obrigado pelos elogios, mas gostaria de saber como você achou meu blog, se não for incômodo

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  6. Primeiro gostaria de pedir perdão caso tenha soado ofensivo.

    A sociolinguística em si já não se preocupa em dizer que existem variantes, pois sua existência já é tomada como fato... O que está incluso quanto a esse assunto no livro são apenas duas frases escritas numa variante popular, seguidas de uma pequena explicação. O livro não inclui sociolinguística, prezado.

    Queria lembrá-lo de que o livro é destinado a escolas públicas; acho que você vai concordar comigo que a educação pública possui problemas tanto no corpo docente quanto no discente... Concordo com você que não discriminar o aluno por seus erros é uma atitude que deveria vir do bom-senso de qualquer um que se diz "professor", mas o que se vê não é isso... Muitos alunos são sim discriminados por erros, chamados de burros, ignorantes, ou pior. Por isso o livro afirma a obrigação do professor de respeitar a variante. Concordo que o livro didático tem de ensinar a gramática, mas ele não faz mal em reafirmar o respeito ao aluno... Fazer isso não é erro.

    No livro também se ensina que a variante que o aluno carrega serve para seu dia a dia falado, mas em certas situações, urge-se o uso da norma padrão, mais um ensinamento muito bem-vindo a um livro destinado à educação.

    Tratarei do preconceito linguístico agora... A língua serve para comunicação... Se disserem "Os menino desceu tudo lá pra baixo", você entende que é mais de um menino, não entende? Isso acontece porque a marcação de número ao longo de toda a frase é desnecessária na compreensão. Não estou dizendo que deveria ser mudada, estou apenas falando que a marcação de número é compreendida por nós no artigo. As pessoas não costumam gostar de ser contrariadas... Se você sabe que a pessoa que pretende corrigir é aberta a correções, vá em frente e corrija com intuito de melhorar o conhecimento de gramática dela! Caso contrário, não perca seu tempo... O ato comunicativo se sucedeu, por que contrariar seu interlocutor com uma correção? Por que te incomoda tanto? Você entende o que falam, deixe que falem, oras... É daquele jeito que as pessoas amadas por aquele falante falam, é aquela variante que ele aprendeu a falar na infância... Por que bater de frente se ela funciona? Let it be...

    Claro que esse posicionamento que eu estou passando é de uma pessoa comum em seu dia-a-dia. Um professor teria a obrigação de corrigir, já que a função dele é ensinar a norma padrão.

    Quanto ao fim primordial do seu blog, num debate, ideias são expostas. Eu compreendo que você não se julgue detentor da verdade suprema, mas é sempre bom procurar bastante sobre um assunto quando se quer escrever sobre ele... Vi que você pretende fazer Letras, acredite, o que eu disse sobre pesquisar antes de escrever é um TREMENDO de um conselho! É sempre bom saber do que se está falando, meu caro...

    Seu argumento de sofrer preconceito por falar "certo" é como o da "heterofobia"... Nunca vi alguém ser discriminado por falar impecavelmente... Muito pelo contrário, as pessoas costumam me tratar com deferência quando eu começo a "empompar"...

    Fico feliz que gostou do texto do Possenti! Respondendo sua pergunta, encontrei seu blog na comunidade da UNESP, um sujeito me disse sobre um futuro ingressante em Letras, no câmpus de São José do Rio Preto... Perguntei sobre esse vestibulando e ele me passou esse blog, dizendo que você era "muito bom" xD... Então vim conferir os textos do meu futuro bixo :)... Aliás, gostaria muito de conversar com você em particular, no msn se possível... Sobre o curso, etc...

    Foi um prazer conversar com você, passar bem!

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  7. Bom, entendo e respeito o teu ponto de vista. Porém, discordarei apenas no argumento sobre o preconceito com o falar adequado à norma culta. Quando adolescente ou criança, nunca ouviu algum dos teus parentes rotular alguém só porque essa mesma pessoa tinha um falar "pomposo"? (óbvio que, no caso, "pomposo" não foi o vocábulo usado)

    Antes de qualquer coisa, gostaria de que me mandasse o link com a discussão em que foi citado meu blog. (Porra, achei que nem o povo da minha escola leria o blog, quanto mais o pessoal do IBILCE)

    A propósito, não, você não foi ofensivo. Aliás, não passou perto disso. Acredite, estou acostumado a debater, e consigo reconhecer atitudes de troll

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  8. nossa cara jura que eu vou ter de procurar? é na comunidade da UNESP no orkut... no tópico "Letras São José do Rio Preto"... você poderia fazer a gentileza de me add no msn? :) jt_tangi@hotmail.com

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  9. Você fala da primeira de todas? Então,naquela comunidade só membros podem olhar os tópicos

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  10. Ah, claro, já vi quem é o sujeito. Diga-me o teu nome, por mera formalidade

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