21 de abr de 2011

Desistória do Brasil

  Caros leitores de "O Homem e a Crítica", antes de mais nada, gostaria de agradecê-los pela moral que estão dando ao blog, o qual já tem quase 1000 visualizações, além dos ótimos comentários. Enfim, peço desculpas antecipadamente, pois não sei se o texto o qual postarei agora será do agrado geral. É a primeira vez que tento escrever uma crônica, então não garanto qualidade. Mas, a crítica, como sempre, faz-se presente. Aqui está:


Desistória do Brasil

Parecia-me um bom dia para falar sobre História com alguns camaradas. E logo qual data escolhemos: 19 de Abril, o notório Dia do Índio. Indígenas, povos tão sofridos quanto os negros advindos da África, e que estão quase extintos em todo o território nacional. Culturas riquíssimas, como as das tribos amazônicas, são brutalmente negligenciadas em qualquer data ou ocasião, sem contar os casos já registrados de violência contra indígenas.
Com isso e muito mais em mente, fui ao encontro de meus camaradas, em um bar de esquina. O número em que estávamos, assim como os nomes, é mero detalhe. O essencial é que sempre tínhamos boas discussões sobre temas que variavam da trivialidade a seriedade absoluta e de suma importância para o Brasil. Propus o tema. Um de meus colegas propôs petiscos. Ambos foram unanimemente aceitos.
Conversamos tarde afora. Como o dia seguinte seria muito mais atribulado para todos, precisamos deixar a discussão restante para outra ocasião. Terminei com a colocação e subsequente pergunta:
- Nossa confabulação sobre a história dos indígenas foi surpreendentemente fantástica. É após tais discussões que pondero: Por qual motivo o povo parece tão alheio à História cultural do Brasil?
Já se despedindo, um dos presentes fez a seguinte afirmação, em tom de resposta:
- Meu caro, essa resposta é óbvia. A razão principal para tal alienação é que, desde o Ensino Fundamental, somos forçados a aprender a Desistória do Brasil, sendo esta desinteressante, desvinculada de sentimentos nacionalistas, desistente em quesito de prover reais informações e desesperando-se para colocar o país em posição de submissão e gratidão aos colonizadores.
Após ouvir tal filosofia, rumei ao lar, refletindo sobre os dizeres de meu colega de mesa redonda, e percebi sua total coerência. Todos os anos, nossas crianças começam a aprender sobre a questionável vilania e/ou ignorância dos povos indígenas, se comparados aos colonizadores europeus, o inverossímil e tedioso heroísmo de Dom Pedro II, a falsa benevolência da fútil Princesa Isabel, entre outros fatos distorcidos de nossa história.
Subitamente, já próximo a meu lar, olhei em volta e não avistei sinal algum de orgulho brasileiro em relação a seus antepassados nativos. Todos preferiam alienar-se. Lembrei-me de que até mesmo os jornais e telejornais menosprezavam a importância da data, preferindo noticiar a erupção de vulcões na Polinésia Insular ou a guerra de independência da Micronésia do Centro-Nordeste contra a do Leste Central.
Entrei em casa e me joguei na cama. Como esse cenário de falta de nacionalismo poderia ser trocado por um pouco que seja de orgulho? Uma mudança na forma de encararmos a História, que estuda a evolução e estruturação de sociedades, seria suficiente? Não achei respostas convincentes. Todavia, a Desistória do Brasil, como diria meu amigo, com certeza deve ser descartada. Fui dormir, pois o dia seguinte me esperava com mais fatos, não sei se bons.

OBS: Se você leu os posts aqui, leu porque quis. Eu reitero meu aviso dizendo que minhas críticas, além de servir como alerta, são críticas generalizadas. Caso eu critique sobre o tema A, B ou C e você não goste (ou queira ver os dois lados da moeda), mande-me sua solicitação por meio de um comentário, se possível especificando a razão pela qual você quer a contra-argumentação

12 de abr de 2011

El Caos Oriental

Bom, pessoal, este é o terceiro lugar da enquete de alguns dias atrás. Peço desculpas pelo atraso (problemas com conexão, sacumé). Dia 21 a próxima postagem ocorrerá normalmente. Boa leitura!


Desordem e Regresso

Durante os primeiros meses de 2011, o povo ocidental vem sendo bombardeado com notícias alarmantes sobre a situação caótica a qual engloba o Oriente Médio e o Norte da África. Egito, Líbia, Tunísia, Jordânia, Síria, Bahrein e outros países da região sofreram ou ainda sofrem com déspotas corruptos e sucessivas revoltas, muitas delas de cunho fundamentalista religioso. Ao invés de “Ordem e Progresso”, o escrito da Bandeira do Brasil, esses países só poderiam colocar em suas bandeiras “Desordem e Regresso”.
Ao invés de desprenderem-se de valores religiosos e tornarem-se ecumênicos, como a antiga nação pérsica (Atual Irã) um dia fora, esses povos, de maioria islâmica sunita, regrediram ao nível do cristianismo medieval e voltaram a perseguir judeus, ateus, não-islâmicos em geral e mulheres. Além disso, fundamentalistas muçulmanos começaram a disseminação de mensagens de ódio aos povos ocidentais, que foram aceitas por pessoas desesperançadas, enraivecidas e inconformadas com a situação política de suas nações e iniciaram as notórias revoltas populares, as quais podem culminar tanto em governos revolucionariamente democráticos quanto em governos autoritários (como o de Mahmoud Ahmadinejad no Irã) e/ou teocráticos, citando o mesmo governo e a maioria dos governos da Antiguidade Oriental.
Em resumo, cabe a esses povos, que sofrem com o regresso em tolerância religiosa e com a desordem governamental e ideológica, mudar os rumos de seus países, podendo assim iniciar uma transformação benéfica para o mundo. A sorte está lançada para os rumos democráticos e para os rumos teocráticos/autocráticos no Oriente Médio e na parte Norte do continente africano

1 de abr de 2011

A Hora da Imprensa (2º Lugar)

Bom, blogueiros, com este título ( não há referências a Clarice Lispector, ok? :P), resumo o propósito do meu texto. O tema é: Imprensa e seu papel em uma sociedade democrática ( Banco de Redações UOL Abril 2010). Tenham uma boa leitura.

Que se faça Imprensa!

Entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil vivia em um período de regime militar. Esse regime, cujas manchas ainda são aparentes no país (exilados políticos que não retornaram, obras faraônicas de utilidade questionável, entre outras), também trouxe um grande legado cultural ao país. Graças à luta contra o regime, notórios músicos, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, ascenderam à fama e enriqueceram tal legado.
Muitos desses ídolos só vieram a ser conhecidos pelo árduo trabalho da imprensa que, em sua maioria, lutava contra o regime. Porém, após a tão sonhada redemocratização, os rumos da imprensa foram dramaticamente alterados.  Ao invés de cumprir o papel informatizante e politicamente ativo o qual lhe foi delegado, alguns indivíduos da imprensa deram fama à mesma de viciosa, tendenciosa, manipuladora e banalizante. Esses mesmos indivíduos ainda privilegiam partidos políticos, sensacionalizam celebridades, divulgam bandas musicais de gosto duvidosas, prezam alguns esportistas e desprezam a elite intelectual brasileira, fazendo com que a reputação da imprensa oponha-se ao que deveria ser, ou seja, um órgão sério e respeitável.
Portanto, esses indivíduos e até mesmo aqueles que trabalham seriamente deveriam aceitar um convite ao bom-senso e começar a trabalhar em prol da informação não manipulada ou politicamente tendenciosa, cumprindo assim a função atribuída à imprensa em uma sociedade democrática. E que se faça imprensa!

Lembre-se: Não tenho a intenção de ofender, e sim de alertar. Portanto, a responsabilidade sobre o que leu é sua. Não me processe, plz